domingo, 19 de dezembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao "Concerto de Natal", com a oratória MESSIAS, de Handel. Neste concerto, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, foi acompanhada pelo Coro Sinfónico Lisboa Cantat, e pelos solistas cantores, Joana Seara, soprano, Martín Oro, contratenor, Thomas Walker, tenor, e o barítono Hugo Oliveira. Esta oratória, de George Frideric Handel (1685-1759), é uma das peças do repertório orquestral e coral mais consensuais da história da música, sendo do inteiro agrado das pessoas, quem não conhece o coro Aleluia, que encerra a segunda parte. Como todas as oratórias, esta partilha muitas características com a ópera, apresentando solistas cantores à frente de uma orquestra e de um coro. As oratórias, como não têm figurinos ou cenários, ouvem-se por norma, em salas de concerto ou igrejas, em vez das tradicionais salas de ópera. Mais um magnífico Concerto de Natal.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto "Richard Galliano & Tangaria Quartet". Richard Galliano, o grande virtuoso do acordeão, Philippe Aerts, no contrabaixo, Sebastien Surel, no violino, e Rafael Mejias na percussão, interpretaram obras de Piazzolla, o famoso Libertango, de J.S.Bach, a célebre suite orquestral Air, e do próprio Galliano, entre elas o Chat pitre, com o qual começou o concerto. Richard Galliano, que já tinha vindo a Portugal duas vezes e eu não tinha conseguido assistir a nenhum dos concertos, desta vez consegui, ainda bem, pois foi um óptimo espectáculo. O público, que quase encheu a sala, saiu rendido ao virtuosismo deste magnífico acordeonista francês. Na minha colecção de cd´s tenho cinco dos seus melhores registos, como solista, integrado num grupo ou com orquestra.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cultura é...

... ir assistir ao "Concerto a 4 mãos e 4 pés", integrado na Temporada de Concertos de Orgão do Mosteiro dos Jerónimos. Neste concerto, os organistas João Vaz e Isabel Albergaria, tocaram obras de Johann Georg Albrechtsberger (1736-1809), Samuel Wesley (1766-1837), Gustav Merkel (1827-1885), Benjamin Cooke (1734-1793), Ramón Ferreñac (1763-1832), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Pierre Cogen (1931). Concerto muito interessante do ponto de vista técnico, com os organistas sempre em perfeita sintonia, com os teclados manuais, a pedaleira e os puxadores, foi a primeira vez que assisti a um concerto do género. O concerto começou com o Prelúdio e fuga em Dó maior, do compositor e organista austríaco Johann Georg Albrechtsberger, este compositor que chegou a dar aulas de harmonia e contraponto a Beethoven, foi durante muitos anos organista na corte de Viena. Após esta obra, ouvimos uma peça muito bonita do inglês Samuel Wesley, o Dueto (de Duets for Eliza), depois desta peça, foi a vez de ser tocada a Sonata em Ré menor, Op. 30, de Gustav Merkel, o organista e compositor alemão que na juventude recebeu algumas lições de Schumann. Sonata com três andamentos, tem um final espectacular. Muito bonita. Merkel, além de ter composto nove sonatas para orgão solo e a que foi tocada hoje para dois organistas, onde se nota a influência de Mendelssohn, escreveu peças para coro e piano. Continuando o concerto, os solistas tocaram Aria, de Benjamin Cooke, compositor e organista inglês, que durante 30 anos foi organista e mestre de Coro da Abadia de Westminster, onde tem um Memorial, e também foi organista da Igreja de St. Martin in the Fields. Foi um grande compositor de música para orgão e para igreja. Depois de compositores austríacos, ingleses, alemães, ouvimos do organista e compositor de música clássica espanhol Ramón Ferreñac a Sonata em Sol maior para orgão a quatro mãos. Com a Fuga em Sol menor KWV 401, de Mozart, os solistas deram-nos a conhecer uma obra para orgão deste famoso compositor austríaco. O concerto terminou com uma peça muito bonita, a Fantaisie sur une antienne, composição do organista francês Pierre Cogen.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao "Concerto de Aniversário", dos 164 anos, do BANCO DE PORTUGAL. Neste concerto, a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida pelo maestro croata Berislav Skenderovic, em substituição do maestro Michael Zilm, tocou obras de Robert Schumann (1810-1856), Johannes Brahms (1833-1897) e Ludwig van Beethoven (1770-1827). O concerto abriu com Abertura, Scherzo e Final, Op. 52, de Schumann, obra incaracteristica, a que o compositor não soube o que chamar, se «sinfonia», «suite» ou simplesmente o nome aqui apresentado. Esta foi a segunda obra orquestral de Schumann, após a Sinfonia nº 1, pois até 1840, era conhecido como um compositor de "miniaturas" para piano. De Brahms, ouvimos o Concerto para violino e violoncelo em Lá menor, Op. 102, a sua última partitura orquestral, apesar de ter sido escrita dez anos antes de ter falecido. Obra em que a parte orquestral é predominante, o violino e o violoncelo "dialogam" continuamente entre si, embora o violoncelo assuma liderança ao introduzir sempre os temas melódicos principais. Com os solistas Liviu Scripcaru, no violino e Marco Pereira, no violoncelo, em grande plano, ouvimos uma obra em que coexistem dois dos principais emblemas de toda a carreira de Brahms: a música de câmara, com os solistas e a música sinfónica, com a orquestra. Após o intervalo ouvimos a Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior, Op. 55, "Heroica", de Beethoven. Escrita quando Beethoven tinha 33 anos, esta obra marca o momento de viragem do Classicismo para o Romantismo. Dos quatro andamentos desta sinfonia, o mais conhecido é o 2º, a Marcha fúnebre. Mais uma belíssima actuação da OML.

domingo, 21 de novembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB, ao concerto "Rio Cunene", com os Kronos Quartet e Victor Gama. Este concerto, inserido no Festival Temps d´Images, serviu de apresentação do projecto Rio Cunene que Victor Gama escreveu para o quarteto norte-americano de música contemporânea Kronos Quartet. Este projecto teve início em 2005, terminando com a apresentação da peça no Carnegie Hall em Nova Iorque, em Março de 2010. Na primeira parte do concerto, os Kronos Quartet, que já colaboraram com compositores como, Philip Glass e Steve Reich, interpretaram temas, ou escritos ou com arranjos para quarteto. Após o intervalo, Victor Gama e os Kronos Quartet, apresentaram, em estreia europeia, a composição Rio Cunene. Victor Gama, que nasceu em Angola, é formado em engenharia electrónica e telecomunicações, é um músico que explora as sonoridades e novos processos de criação através de instrumentos que ele próprio idealiza e constroi. Este concerto foi diferente de todos os outros a que tenho assistido, mais que não fosse pelo tipo de instrumentos utilizados, uns construidos por Victor Gama ou por crianças do Cunene, Angola.

sábado, 6 de novembro de 2010

Cultura é...

...assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho, em Carnaxide, ao concerto "Homenagem a Chopin". Auditório cheio para assistir a este concerto com obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Fryderyk Chopin (1810-1849), executadas pela O.C.C.O. e pelo grande pianista Sequeira Costa. Com a O.C.C.O. a ser dirigida pelo consagrado maestro norte-americano Alexander Frey, começámos por ouvir a Abertura da Ópera "Don Giovanni", de Mozart. Após a interpretação desta peça, de uma das mais famosas óperas deste compositor austríaco, foi ouvida a primeira grande salva de palmas do concerto, a entrada no palco do prof. Sequeira Costa, para tocar com a O.C.C.O. o Concerto para piano nº 1 em Mi menor Op. 11, de Chopin. No final da sua magnífica interpretação, tocando como só ele sabe, Sequeira Costa teve de vir ao palco três vezes agradecer a enorme ovação que a assistência lhe tributou. Publicado como o primeiro concerto para piano, este é, de facto, o segundo concerto escrito por Chopin. Após um demorado intervalo, havia que retirar o piano do palco e reformular a posição das cadeiras da orquestra, a O.C.C.O. regressou ao palco para tocar de novo uma obra de Mozart, a linda Sinfonia nº 38 em Ré maior K 504 "Praga". Esta sinfonia tem a curiosidade de não utilizar o clarinete e de só ter três andamentos, ao contrário das últimas sinfonias de Mozart, que tinham todas quatro andamentos. Foi denominada de Praga por ter sido estreada nessa cidade, em 19 de Janeiro de 1787. Belíssimo concerto.

sábado, 30 de outubro de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB, ao concerto "Em Ré maior", da Orquestra de Câmara Portuguesa. Sob a direcção de Pedro Carneiro, a O.C.P. interpretou obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Johannes Brahms (1833-1897), compositores em que Ré maior é uma tonalidade dominante nas suas obras. A primeira parte foi preenchida com o Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61, de Beethoven. Com o romeno Adrian Florescu, como solista, ouvimos o concerto mais longo deste compositor alemão, só o primeiro andamento tem mais de vinte e cinco minutos, e ainda com a particularidade de o segundo andamento estar ligado ao terceiro. Esta obra, estreada em Viena em 1806, tendo como solista Franz Clément, por quem Beethoven nutria grande admiração, só se tornou célebre a partir de 1844, quando um jovem prodígio, Joachin de seu nome, de apenas treze anos, a apresentou em Londres, sob a direcção de Mendelssohn. Após o intervalo, ouvimos a O.C.P. interpretar a Sinfonia nº 2 em Ré maior, Op. 73, de Brahms. Brahms, que numa digressão pela Alemanha, conheceu Joseph Joachin, o grande violinista húngaro que tornou famoso o Concerto de Beethoven, que a O.C.P. interpretou na primeira parte deste concerto, foi quem iniciou Brahms na técnica dos instrumentos da orquestra, que até então se limitava ao piano. Joachin foi quem introduziu este compositor na corte de Weimar, onde conheceu Liszt e Schumann. Brahms, quando jovem, foi considerado o sucessor de Beethoven e Schubert, no que diz respeito ao estilo sinfónico, tendo Schumann dito, quando o conheceu, que o seu destino seria a escrita para orquestra.
Magnífico concerto.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cultura é...

... ouvir no Pequeno Auditório-Sala Eduardo Prado Coelho, do CCB, o pianista Artur Pizarro tocar o 2º recital da "Integral da obra para piano" de Fryderyk Chopin (1810-1849). 2010, ano em que se celebra o bicentenário do nascimento deste grande compositor polaco, Artur Pizarro irá interpretar em nove recitais a sua obra completa para piano solo. Neste recital, com obras do período de 1827 a 1834, Artur Pizarro que tocou com a pianista luso-americana Jill Lawson, como artista convidada, uma peça, iniciou o recital com a Sonata para piano nº 1, em Dó menor, Op. 4, de 1827/1828, uma lindíssima sonata e bem conhecida. A primeira parte do recital terminou com Jill Lawson e Artur Pizarro a intrepertarem o Rondo para dois pianos, em Dó maior, Op. 73, de 1828, mais uma bonita obra de Chopin. Após o intervalo, Artur Pizarro iniciou a segunda parte do recital com a Polonaise, em Sol bemol maior, escrita em 1829, seguiram-se a Valsa, em Si menor, Op. 69 nº 2 e a Valsa, em Mi maior, de 1829, e a Valsa, em Mi menor, de 1830. Antes de ouvir-mos mais duas valsas, Pizarro interpretou Variações em Lá maior, "Souvenir de Paganini", de 1829. As valsas que tocou após esta peça foram, Valsa, em Mi bemol maior, de 1830 e a Valsa, em Ré bemol maior, Op. 70 nº 3, de 1829. Continuando a interpretar obras escritas no período de 1827 a 1834, ouvimos Três Mazurcas Op. 68, a Nº 2 em Lá menor, a Nº 1 em Dó maior e a Nº 3 em Fá maior, de 1827/1829, terminando muito bem com o Andante spianato et Grande polonaise brillante, em Mi bemol maior, Op. 22, escrito entre 1830-1834. Magníficas interpretações e belíssimas obras. Chopin que faleceu e foi sepultado em França, de tuberculose (tese por vezes posta em causa), tem a seu pedido, o coração em Varsóvia, na Igreja de Santa Cruz.

domingo, 10 de outubro de 2010

Cultura é...

... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho, em Carnaxide, ao recital de piano de Tullio Forlenza. Depois do recital da véspera, em Oeiras, hoje o pianista tocou obras de dois compositores russos, Alexander Borodin (1833-1887) e Igor Stravinsky (1882-1971). De Borodin, compositor nacionalista que fez parte do Grupo dos Cinco, ouvimos a Pequena suite. Além de tocar os sete andamentos escritos por Borodin, o pianista tocou ainda, o Scherzo em lá bemol maior, que Glazunov acrescentou a esta obra, quando a orquestrou e reorganizou, após a morte de Borodin, em 1887. De Stravinski, que sofreu influência dos vários países onde viveu desde que saiu da Rússia, com 28 anos, ouvimos as peças Ragtime, Tango, Circus polka e três andamentos da versão para piano de Petrushka. Petrushka, foi o segundo dos três ballets escritos a pedido de Sergei Diaghilev, empresário e director dos Ballets Russes. Os outros ballets foram, O pássaro de fogo e A sagração da Primavera. Stravinski viveu em França, na Suiça e nos Estados Unidos, onde faleceu em 1971. Embora tenha falecido nos E.U. foi sepultado em Veneza bem perto da sepultura de Diaghilev, seu grande amigo.

Cultura é...

... assistir no Aud. Centro de Apoio Social de Oeiras, ao recital "Kinderkonzert", pelo pianista italiano Tullio Forlenza. Este recital, integrado no ciclo Música em Diálogo, do maestro José Atalaya, com o subtítulo Meditações de infância, foi baseado em obras cujo tema é a infância. Foram tocadas obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Robert Schumann (1810-1856) e Dmitry Shostakovich (1906-1975). O pianista iniciou o recital com a bem conhecida Sonata para piano nº 16 em dó maior K 545, "Sonata fácil", de Mozart. Inspirada nas crianças, esta lindíssima sonata que o pianista austríaco Artur Schnabel disse um dia ser "fácil para as crianças, complicado para os virtuosos", só se tornou conhecida após a morte do compositor, em 1805. De Beethoven, ouvimos a pouco conhecida Sonata WoO 47, nº2 em fá menor. Escrita quando tinha pouco mais de 24 anos, foi uma das primeiras sonatas deste grande compositor alemão. Após a sonata de Beethoven, foi a vez das Cenas infantis Op.15, de Robert Schumann. Consta que Schumann numa das cartas que escreveu a Clara Wieck dizia que se tinha inspirado na sua infância quando escreveu as 13 peças desta obra. Estas obras-primas em miniatura revelam o grande talento deste grande pianista e compositor, sendo, Sonhando, À lareira e Fala o poeta, as mais conhecidas. Este belíssimo recital chegou ao fim com as Danças das crianças, de Shostakovich. Esta obra, práticamente desconhecida do público, é muito bonita. Nascido em Sampetersburgo, Shostakovich com dezassete anos acompanhava filmes mudos tocando piano nos cinemas e com dezanove anos diplomou-se no Conservatório da sua cidade natal. Uma das suas obras emblemáticas é a Sinfonia nº 7 "Leninegrado", composta para evocar a agressão hitleriana contra a URSS, no cerco de Leninegrado, onde morreram 600.000 pessoas. Shostakovich viveu grande parte desse cerco na cidade, tendo prestado serviu como bombeiro. Devido aos muitos aplausos da assistência, o pianista brindou-nos com um magnífico encore, a Bagatela para piano WoO 59 em lá menor, a famosíssima "Für Elise".

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Pequeno Auditório do C.C.B. ao concerto do Messiaen Quartet, preenchido com o Quarteto para o fim do Tempo, do compositor Olivier Messiaen (1908-1992). Sendo uma das poucas obras de música de câmara deste compositor francês, é no entanto uma das mais conhecidas e emblemáticas do século. Composta entre o final de 1940 e o início de 1941, foi escrita em condições precárias, pois o compositor encontrava-se num campo de prisioneiros na Silésia, inclusivamente foi um oficial alemão que lhe deu papel de música, lápis e borrachas, e lhe permitiu conservar as partituras que transportava aquando da sua captura. Inicialmente escrita para ser tocada por um trio de prisioneiros que tocavam violino, violoncelo e clarinete, mais tarde, quando Messian conseguiu arranjar um piano, passou a quarteto. Todos os oito andamentos deste quarteto foram escritos a partir de uma secção inicial, intitulada Intermède, tornando-se esta o quarto andamento da obra. No fim do programa o Messiaen Quartet interpretou dois encores, dois temas populares russos, muito bonitos. Este ensemble atípico, composto por um clarinete, um violino, um violoncelo e um piano, é formado por quatro jovens nascidos em Moscovo, já tendo participado em inúmeros festivais e vencido vários concursos internacionais.

domingo, 26 de setembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Palácio do Egipto, em Oeiras, ao recital de Mário Laginha, integrado no ciclo de "Teclas ao fim da tarde". Este recital, tocado de improviso, tinha como base temas dos seus albuns, a solo, com Maria João, com Bernardo Sassetti e em trio. Com o espaço do recital cheio, Mário Laginha iniciou-o com um improviso do tema Sonho dos outros, do album "Mário Laginha Bernardo Sassetti", de 2003. Após uma breves palavras, do album a solo "Canções & Fugas", gravado em 2006, tocou os temas Fado e Berenice". Antes de novo improviso, mais umas breves palavras. Do album "Chorinho feliz", gravado em 2000 com Maria João, ouvimos o tema Um choro feliz, belíssima interpretação deste tema. Do album "Espaço", encomendado para a Bienal de Arquitectura de 2007, ouvimos o lindíssimo tema Tanto espaço. Este album foi gravado em trio, com Bernardo Moreira no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Para terminar o recital, Mário Laginha escolheu o tema Despedida, do album que gravou em 2003 com Bernardo Sassetti. Um fim de tarde muito agradável, não só pela música que ouvimos como pela companhia dos quadros da exposição de Juan Miró, que se encontra no salão do recital, nos fez.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cultura é...

...assistir no CCB ao concerto "À descoberta da América", com a O.M.L. Neste concerto, comemorativo dos 200 anos do que é simbólicamente considerado o início do processo de independência dos países da América Latina em relação a Portugal e Espanha, a Metropolitana, sob a direcção musical de Cesário Costa, interpretou obras de quatro compositores latino-americanos do século XX. O concerto começou com a Suite em dois andamentos de "La noche de los Mayas", do virtuoso violinista e compositor mexicano Silvestre Revueltas (1899-1949), Neste tema, devido aos instrumentos de percussão, a influência das melodias tradicionais do México é notória. De Alberto Ginastera (1916-1983), compositor argentino com maior projecção internacional da sua geração, ouvimos as doze Variações Concertantes, Op.23. De todas as variações, as que mais gostei foi a I e a XII, interpretadas só pelo violoncelo e pela harpa, uma pequena maravilha. Após o intervalo, do brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), a O.M.L. tocou a Sinfonieta nº 1, em Si bemol maior, A15. A obra que menos apreciei neste concerto. Para terminar o concerto, a orquestra tocou do mexicano José Pablo Moncayo (1912-1958), a peça Huapango, nome de uma dança tradicional mexicana. Esta peça, a mais conhecida deste compositor, é uma música cheia de fervor, alegria e carisma mexicano. O concerto desta noite deu-me a conhecer compositores latino-americanos pouco divulgados.

sábado, 4 de setembro de 2010

Cultura é...

... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho ao "Concerto estival" com a O.C.C.O. Neste concerto foram tocadas obras de Fryderyk Chopin (1810-1849), Robert Schumann (1810-1856) e Franz Schubert (1797-1828). De Chopin, a O.C.C.O. interpretou a Polonaise em Lá maior, Op.40,nº1, "Militar". Em 1838, Chopin escreveu duas Polonaises Op.40. A nº 1, foi considerada pelo pianista russo Anton Rubinstein o símbolo da glória polaca, devido ao seu andamento "marcial", a nº 2, por ser triste, foi considerada pelo mesmo pianista, ser o símbolo da tragédia do povo polaco, com a invasão alemã na 2ª guerra mundial e a destruição de Varsóvia. A polonaise tocada hoje, é muito conhecida por ser ouvida com frequência em casamentos. De Robert Schumann, a O.C.C.O., acompanhada pelo violoncelista eslovaco Eugen Prochác, executou o Concerto para violoncelo e orquestra de cordas em Lá menor, Op.129. Schumann só compôs três concertos, um para piano, outro para violino e este para violoncelo. Onde Schumann mais se distinguiu foi nas obras para piano, no entanto, devido à sua paixão pela poesia e pela música, escreveu magníficos lieder (canções). Após a execução deste concerto, e devido aos muitos aplausos da assistência, o solista brindou-nos extra programa, com uma pequena peça do famoso violoncelista russo Mstislav Rostropovich. Depois de um curto intervalo, a orquestra tocou a Sinfonia nº 8 em Si bemol menor, D759, "Incompleta", de Schubert. Esta sinfonia tornou-se famosa por só ter dois andamentos, o compositor ainda esboçou um terceiro, mas interrompeu para se dedicar a outro projecto, nunca se sabendo a causa desta atitude. Esta foi mais uma das muitas obras que só se tornaram conhecidas após a morte do compositor, com apenas 31 anos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Cultura é...

... assistir no CCB, ao concerto de Jaques Morelenbaum Cello Samba Trio. Neste concerto, Jaques Morelenbaum com o seu violoncelo, foi acompanhado por Lula Galvão, na guitarra, Rafael Barata, na bateria, e o convidado especial Daniel Jobim, no piano e voz. O trio iniciou o espectáculo com Samba de uma nota só, de Tom Jobim, prosseguindo com Vim da Baía, de Gilberto Gil, Coração vagabundo, de Caetano Veloso, e outros temas de Chico Buarque, Egberto Gismonti, Noel Rosa e do próprio Morelenbaum. Tocando Sambou Sambou, de João Donato, o trio de Morelenbaum terminou a sua actuação, após este tema, Daniel Jobim juntou-se ao trio e a partir daí ouvimos pequenas pérolas da música brasileira, Água de beber, de Vinícius de Morais, Corcovado, de Jobim, Bim Bom, de João Gilberto, Águas de Março, de Jobim, Chega de saudade, de Jobim e Vinícius e Desafinado, de Jobim. O concerto terminou em apóteose com o famoso Garota de Ipanema, de Jobim e Vinícius. O Grande Auditório do CCB encheu-se para assistir a um magnífico espectáculo, com extraordinários executantes, e belíssimos solos de guitarra. Durante cerca de 2h00 fez-se a história do samba e da bossa nova. Ao ver Daniel Jobim a cantar e tocar piano, de fato, gravata e um chapéu branco, quem não recorda com saudade o seu avô, António Carlos Jobim, o grande compositor, maestro, pianista, cantor e violonista brasileiro. Magnífico espectáculo.

sábado, 26 de junho de 2010

Cultura é...

... assistir no Pequeno Auditório do C.C.B., ao concerto "Música para uma noite de Verão", com o Schostakovich Ensemble. Este ensemble é composto pelos pianistas Filipe Pinto-Ribeiro e Eldar Nebolsin, e pelos percussionistas Pedro Carneiro e Juanjo Guillem. Neste concerto foram executadas obras de W.A.Mozart (1756-1791), Béla Bartok (1881-1945) e George Crumb (1929). De Mozart ouvimos a Sonata para dois pianos em Ré maior, K 448. Sonata escrita para Josepha von Auernhammer, sua aluna que se tornou uma pianista de sucesso. Foi interpretada pela primeira vez, no dia 23 de Novembro de 1781, por Mozart e Josepha, num concerto privado, em casa desta. De Béla Bartók, compositor nascido no sul da Hungria, hoje Roménia, foi executada a Sonata para dois pianos e percussão, Sz.110. Nesta obra, a junção em diálogo, do piano com instrumentos de percussão é um pouco insólita. Foi o próprio Bartok, com Ditta Pasztory, sua mulher, e dois percussionistas, que a estreou em 1938, na cidade de Basileia. Posteriormente, em 1940, o compositor transformou-a no Concerto para dois pianos e orquestra, Sz.115. Após o intervalo, e para finalizar o concerto, o Schostakovich Ensemble, tocou Music for a Summer Evening (Makrokosmos III), de 1974, do compositor americano, moderno, e de vanguarda, George Crumb. Obra muito interessante, devido aos sons que são produzidos pelos mais variados instrumentos de percussão utilizados nos cinco andamentos, vibrafone, guizos, xilofone, maracas, triangulos, tambores, gongos, pratos, além de alguns intrumentos exóticos. No quinto andamento, as cordas dos pianos são cobertas com folhas de papel para que haja uma distorção do som quando as teclas são accionadas, tornando-se os pianos também instrumentos de percussão. Gostei muito deste concerto.

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... assistir no Auditório Municipal Ruy de Carvalho ao recital de piano de Margarida Mendo. Este concerto foi preenchido com obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Franz Schubert (1797-1828), Cláudio Carneyro (1895-1963), Sergey Rachmaninov (1873-1943), Frédéric Chopin (1810-1849) e Maurice Ravel (1875-1937). O recital começou com o Concerto Italiano em Fá Maior BWV 971, de Bach. Obra composta para violino e cravo, inspirado no barroco italiano representado por Vivaldi. Do austríaco Franz Schubert, ouvimos uma sonata composta em 1817, a pouco divulgada Sonata D 537 em Lá Menor. A maioria da música de Schubert só se tornou conhecida do grande público após a sua morte, em vida só era conhecida dos amigos que frequentavam as famosas "Schubertianas", reuniões nos salões vienenses onde tocava pela primeira vez as suas novas composições. Após um curto intervalo, ouvimos "Arpa eólica", de Cláudio Carneyro. Embora executada pelas teclas do piano, esta peça representa o vento a deslizar pelas cordas de uma harpa. De Rachmaninov, um dos mais influentes pianistas do século XX e grande compositor russo, ouvimos uma peça de difícil execução, o Estudo quadro Op.33 nº6. De Chopin ouvimos três obras, o Estudo Op.10 nº8, o Estudo Op.25 nº7 e o Estudo Op.25 nº11. Estes estudos fazem parte dum conjunto de 27, doze Op.10, doze Op.25 e três sem nº Opus, compostos entre 1829 e 1939. Para terminar o recital, a pianista tocou de Maurice Ravel, a peça "Jeux d´Eau", composição escrita para piano solo e dedicada a Gabriel Fauré, seu professor quando a escreveu. Margarida Mendo, que vi tocar pela primeira vez, é uma jovem executante que começou a estudar piano aos 7 anos de idade, tendo terminado o curso com a nota máxima. Actualmente estuda em Inglaterra, no Conservatório de Música de Birmingham.

domingo, 20 de junho de 2010

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... assistir a mais um concerto do "Ciclo de Concertos de Órgão no Mosteiro dos Jerónimos". Para assinalar os 325 anos do nascimento de Johann Sebastian Bach (1685-1750), o organista Filipe Veríssimo, organista da Igreja da Lapa, Porto, interpretou obras desse genial compositor alemão. O concerto começou com a mais célebre obra para teclas de Bach, a Toccata e Fuga em Ré menor, BWV 565. Composta para cravo, hoje é tocada sobretudo no órgão, devido à grandiosidade da sua abertura e do seu final. Quem nunca ouviu esta obra ? O Prelúdio de Coral "Nun komm, der Heiden Heiland", BWV 659, foi a peça seguinte. Pequena peça litúrgica, faz parte dum conjunto de dezoito prelúdios corais compostos para órgão. Da sua famosa série de 48 fugas, ouvimos o Prelúdio e Fuga em Sol maior, BWV 541. Uma peça alegre e envolvente. A obra seguinte, a Triosonata nº 5 em Dó maior, BWV 529, é considerada uma das mais representativas sonatas da música barroca. Sendo uma sonata para ser tocada em trio, nesta versão de órgão, a mão direita, a esquerda e os pés fazem o papel de trio. E por fim a Fantasia e Fuga em Sol menor, BWV 542, "Grande", chamada assim para se distinguir da anterior, a Bwv 578. Antes de se retirar, devido às muitas palmas que recebeu, Filipe Veríssimo brindou os presentes, em grande número, com uma pequena peça, que traduzir para português como, Jesus, minha confiança.

sábado, 19 de junho de 2010

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... assistir ao espectáculo "Trilogia-Carta Branca de Fausto Bordalo Dias", no C.C.B. Este concerto foi a apresentação do novo trabalho de Fausto. O trabalho apresentado, ainda sem título, fecha a trilogia baseada nos descobrimentos portugueses, iniciada com o album "Por este rio acima" (1984), a que se seguiu "Crónicas da terra ardente" (1994). O concerto foi dividido em três partes, a primeira, composta por oito temas do novo album, centrado no período em que os portugueses viajaram por África, começou com E fomos pela água do rio, e incluiu o tema E viemos nascidos do mar, já divulgado pela fadista Ana Moura. As sete canções seguintes, entre as quais podemos ouvir Ao som do mar e do vento e O mar, pertencem ao album "Crónicas da terra ardente", trabalho inspirado no aproximar de terra dos navegadores portugueses. Com um improviso de percussão e bateria protagonizado por João Ferreira e Mário João Santos, iniciou-se a terceira e última parte do concerto, dedicada ao seu album mais emblemático, "Por este rio acima", cujo a temática são as viagens de Fernão Mendes Pinto. Dele podemos ouvir oito temas, começando com o tema que dá título ao album, passando por, Lembra-me um sonho lindo, Olha o fado e O barco vai de saída. Com o público, muito dele jovem, a aplaudir de pé, Fausto encerrou o espectáculo com o encore Navegar navegar. Neste concerto, Fausto (voz e guitarra), fez-se acompanhar por oito excelentes músicos, João Maló (guitarra), Miguel Fevereiro (guitarra), Filipe Raposo (piano), Enzo D´Aversa (teclas/acordeão), Vitor Milhanas (baixo), João Ferreira (percussão) e Mário João Santos (bateria), sobre a direcção musical José Mário Branco.

Cultura é...

... visitar a exposição "Ex-Libris do Mar", patente no Pavilhão das Galeotas, no Museu de Marinha. Esta visita, organizada pelo GAMMA-Grupo dos Amigos do Museu de Marinha, guiada pelo arquitecto Segismundo Pinto, Presidente da Academia Lusitana de Heráldica, foi muito interessante pelo que contribuiu para o meu conhecimento sobre os ex-libris, e as várias fases da sua execução, desde a concepção até ao "produto final". A expressão latina Ex-libris, significa dos livros. Os ex-libris identificam os proprietários dos livros e contém um logotipo, um brasão ou desenho e a palavra ex-libris, seguida do nome do proprietário. e eventualmente tem um lema ou citação. Poderá estar colado na contra capa ou página de rosto de um livro. Nesta exposição podemos ver exemplares de rara belaza. Gostei muito desta visita.

domingo, 13 de junho de 2010

Cultura é...

... ir ao Auditório da Igreja de Queijas assistir ao recital "Serenata para sopros". O recital teve como intervenientes um octeto de sopros da O.C.C.O. composto por dois oboés, duas trompas, dois fagotes e dois clarinetes. Foram interpretadas obras de W.A.Mozart (1756-1791) e de Ludwig van Beethoven (1770-1827). De Mozart, ouvimos a Serenata nº 11, K375. Mozart, foi o compositor que mais se destacou no século XVIII na composição de serenatas, sendo a Pequena Serenata Nocturna, K525, a mais célebre. Este génio da música, com uma produção musical enorme, mais de seiscentas obras, faleceu na miséria, pois tanto ele como a mulher Constanze, irmã do seu grande amor de adolescência, eram muito gastadores. A morte prematura de Mozart, aos trinta e cinco anos, esteve sempre envolta em mistério, não se conhecendo a sua causa. Após um curto intervalo, ouvimos o Octeto Op.103, de Beethoven, composto em 1792/3, na fase de grande produção clássica, as suas primeiras sinfonias, primeiros concertos para piano, primeiras sonatas para piano e os primeiros quartetos. Beethoven, foi o responsável pela transição do classicismo para o romantisno. Com duas belíssimas serenatas, especialmente a de Beethoven, este recital foi muito agradável de assistir.

sábado, 29 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao bailado "A Sagração da Primavera", de Igor Stravinsky (1882-1971), com a Companhia Olga Roriz. A primeira parte do espectáculo foi preenchida com a peça Before spring-A Tribute to the Rite, obra encomendada ao compositor Luis Tinoco (1969), pela OrchestrUtopica, que dirigida pelo maestro Cesário Costa, executou a peça. Esta obra, de tributo a Stravinsky, e criada para fazer a "ponte" com a coreografia de Olga Roriz, não me entusiasmou. Após o intervalo, foi apresentada a coreografia da "A Sagração da Primavera", de Olga Roriz. Não sendo muito apreciador/conhecedor de bailado, o que me levou a assistir a este espectáculo foi o facto de gostar muito da música e a oportunidade de ver o bailado. O bailado "A Sagração da Primavera" (1913), que conta a cerimónia pagã em que uma jovem é sacrificada como oferenda ao Deus da primavera, em ritual primitivo, a fim de trazer boas colheitas, encerra a trilogia de bailados de Igor Stravinsky, que começou com "Pássaro de Fogo" (1910), e Petrushka" (1911). Foi criada para os Ballets Russes, de Sergei Diaghilev, com a coreografia polémica do famoso Nijinsky, e estreada há 97 anos em Paris, no dia 28 de Maio de 1913. Facto curioso, o de no mesmo fim-de-semana se estrearem duas versões desta obra, que causou alguma polémica, pois estiveram para ser só uma. Na véspera da estreia da versão de Olga Roriz, a Companhia Nacional de Bailado (CNB), estreou em Faro, uma coreografia do espanhol Cayetano Soto. Segundo quem viu os ensaios das duas versões, são bastante diferentes.

Cultura é...

... ir ao Palácio do Egipto, em Oeiras, assistir ao concerto do trio Piazzolla Lisboa. Este trio, composto por António Carrilho, na flauta de bisel, pelo italiano Edoardo Sbaffi, no violoncelo e Helena Vasques no piano, tocam como se percebe pelo seu nome, obras de Astor Piazzolla (1921-1992). Para mim foi um prazer ouvir este concerto, por ser um admirador de Piazzolla e ter cd´s com várias versões das obras apresentadas. O concerto começou com Otoño Porteño, uma das suas Cuatro estaciones porteñas. Das várias versões que tenho, a que mais gosto é a interpretada pelo quarteto de cordas alemão Artemis Quartet com o pianista Jacques Ammon, no cd "The Piazzolla Project". Após o Otoño Porteño, o concerto continuou com Close your eyes and listen, da autoria de Astor Piazzolla e do saxofonista "Gerry" Mulligan, gravado pelos dois no cd "Summit", em 1974. Oblivion, para mim uma das melhores obras de Piazzolla, foi a peça tocada a seguir, a minha versão preferida é a do guitarrista norte americano Al Di Meola, no seu cd "Al Di Meola plays Piazzolla". De novo mais uma das Cuatro estaciones porteñas, o Verano Porteño, a minha interpretação favorita é a de Gidon Kremer com a Kremerata Baltica, no cd "Eight Seasons". O cd, deste excepcional violinista da Letónia e o seu grupo, formado por jovens músicos dos países Bálticos, é dedicado às quatro estações do ano, do Astor Piazzolla e de Antonio Vivaldi, um belíssimo cd. Da única ópera de Piazzolla, com o título Maria de Buenos Aires, que conheço vários excertos, ouvimos a Contramilonga a la mia funeralla. Este excerto não conhecia. De novo as Cuatro estaciones porteñas, desta vez o Inverno Porteño, que muito aprecio tocado pelo violoncelista alemão Jan Vogler no cd "Tango !" Com o concerto a aproximar-se do fim, ouvimos mais uma belissíma obra, o Libertango, que Richard Galliano, acordeonista francês, toca magistralmento no seu cd "Laurita". Por fim, a mais conhecida das Cuatro estaciones porteñas, Primavera Porteña, que o ensemble francês Astoria gravou no cd "Adios Noniño". No final, os Piazzolla Lisboa regressaram ao palco para agradecer as muitas palmas, e brindaram o público de novo com o Libertango. Possuindo cd´s, com as mais diversas formações e instrumentos, a interpretar Piazzolla, foi uma agradável surpresa ouvir estas versões com a flauta de bisel a substituir o violino, em perfeita harmonia com o violoncelo e o piano. Astor Piazzolla foi o criador do chamado "nuevo tango", a fusão jazz, devido à inclusão no seu octeto de instrumentos alheios ao tango tradicional, a guitarra, o baixo, o piano, a bateria e o saxofone. Faleceu em Buenos Aires em 1992, após ter sofrido dois anos antes, uma trombose em Paris, após ter passado por Lisboa e realizado um concerto memorável no Coliseu dos Recreios.

Cultura é...

... ir ao CAMB, no Palácio Anjos, em Algés, assistir a mais um concerto do "Ciclo de Música de Câmara". Neste concerto, o Moscow Piano Quartet, interpretou obras de Joly Braga Santos (1924-1988), Robert Schumann (1810-1856) e Anton Rubinstein (1829-1894). Como é hábito deste ciclo, Alexandre Delgado, membro do quarteto, fez uma pequena introdução sobre cada uma das obras. De Joly Braga Santos, discípulo dilecto de Luis Freitas Branco, ouvimos o Quarteto com piano, op. 26, escrito na primeira fase de produção do compositor. Embora Braga Santos seja recordado pela sua obra sinfónica, seis sinfonias, sendo a quinta a sua maior criação, deixou bastantes obras de música de câmara. Em criança adorava que lhe oferecessem instrumentos musicais, por isso aos cinco anos já tocava num violino de brincar. Dele disse um dia, "não me considero compositor, mas sim inventor de música". Na sua época, foi considerado pela UNESCO, um dos dez melhores compositores contemporâneos. De Schumann, compositor importante do Romantismo, o MPQ, interpretou o Quarteto com piano, op. 47, obra escrita em 1842, a sua fase mais criativa da música de câmara, e estreada por Clara Schuman no ano seguinte, na residência do casal em Leipzig. Para finalizar o concerto, foi tocado o Quarteto com piano, op. 66, do pianista, compositor e maestro russo-judaico Anton Rubinstein, obra raramente tocada na actualidade. Figura emblemática da vida musical de São Petersburgo no século XIX, Rubinstein foi fundador do famoso Conservatório local, onde pela primeira vez se ensinou a música na lingua russa. Como não seguiu o caminho convencional escolhido pelo Grupo dos Cinco, grupo de compositores russos nacionalistas, foi muito criticado por estes. Tendo começado a aprender a tocar piano com cinco anos, tocou a primeira vez em público com nove e com onze anos tocou em Paris para uma plateia onde se encontravam Fryderyk Chopin e Franz Liszt. No final, Chopin convidou-o para ir a sua casa tocar para ele. Pianista virtuoso, foi considerado um grande rival de Franz Liszt. No final, devido aos inúmeros aplausos, o Moscow Piano Quarteto regressou para tocar o 3º andamento do quarteto de Rubinstein.

domingo, 23 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto inaugural do "Ciclo de Concertos de Órgão no Mosteiro dos Jerónimos". Este concerto contou com a colaboração do barítono Armando Possante e do organista António Esteireiro. No novo órgão do Mosteiro dos Jerónimos, foram interpretadas obras de compositores de várias épocas, dos históricos aos contemporâneos. De Isfrid Kayser (1712-1771), principal compositor bávaro de música sacra, foi tocada Ouverture. Kayser foi director musical do Mosteiro de Marchtal, onde viveu grande parte da sua vida, e onde veio a falecer com 59 anos. De Francisco Correa de Arauxo (1584-1654), notável organista e compositor espanhol da Renascença, ouvimos pela voz de Armando Possante, duas obras. Este compositor, que durante parte da sua vida se viu envolvido em várias acções judiciais, tendo uma das vezes sido preso, faleceu em extrema pobreza. Do inglês William Boyce (1711-1779), que foi organista da Capela Real até a surdez o impedir de o fazer, ouvimos Voluntary in D. Tendo sido um dos mais importantes compositores ingleses do século XVIII, após a sua morte, caiu no esquecimento. A seguir, de J.S.Bach (1685-1750), considerado o mestre da música barroca, e o maior compositor da história da música, ouvimos uma das peças mais bonitas do concerto, Passacaglia e Fuga em dó menor. De novo a voz de Armando Possante, para interpretar Mörike Lieder, do austríaco Hugo Wolf (1860-1903) e do alemão "Max" Reger (1873-1916). Estes compositores, Wolf, especialista em lieder, e Reger, excelente organista, faleceram muito novos, tinham 43 anos, um com sífilis e o outro com um ataque cardíaco. Para finalizar este concerto, ouvimos obras de dois compositores franceses. O Prelúdio e Fuga em Sol menor, op. 7, nº 3, do organista, pianista e pedagogo Marcel Dupré (1886-1971), e cantado por Armando Possante, Les Angélus, Tríptico para canto e órgão, op. 57, de Louis Vierne (1870-1937). Louis Vierne, compositor e organista de renome, escreveu grande parte da sua obra em Braille, devido a uma catarata congénita de que sofria. Vierne foi o organista principal da Catedral de Notre-Dame de 1900 a 2-06-1937, dia em que faleceu, quando tocava num concerto. Durante a interpretação duma obra tombou do banco do órgão, segundo uns devido a um AVC, segundo outros devido a um ataque cardíaco. Assim se cumpriu o seu desejo, que era morrer ao teclado daquele órgão, e ainda tendo junto dele o grande amigo Marcel Dupré, que foi seu aluno no Conservatório de Paris.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto de Dianne Reeves Quartet. Neste concerto de apresentação do seu novo trabalho, When you know, Dianne Reeves foi acompanhada por quatro excelentes músicos. No piano e na direcção musical esteve Peter Martin, Reginald Veal, no contrabaixo e baixo electrico, Romero Lumbabo, tocou guitarra acústica e electrica, e na bateria Terreon Gully. Com uma voz espectacular, Reeves é considerada uma das mais importantes cantoras de jazz contemporâneas, sendo a única cantora a conseguir ganhar os Grammys por quatro vezes, três deles consecutivos. Neste momento Reeves apresenta-se no topo das suas capacidades. Em 2002 cantou no encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City.

domingo, 9 de maio de 2010

Cultura é...

... ir ao Grande Auditório do C.C.B. ouvir o concerto "Sinfonia nº 8 de Schubert, A Grande", interpretado pela Orq.Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo reputado maestro norte-americano Mark Stringer. Neste concerto, a OML não só interpretou Franz Schubert (1797-1828), como Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Dmitri Chostakovich (1906-1975). O concerto, inserido nas comemorações dos 18 Anos-Idade Maior da OML, começou com a Abertura Rei Estevão, Op.117, de Beethoven, obra composta para a inauguração de um teatro em Peste, que anos mais tarde se viria a juntar a Buda e passaria a ser Budapeste, capital da Hungría. Esta obra é uma das poucas do compositor escrita para cena, sendo a ópera Fidélio a mais conhecida. A primeira parte deste concerto acabou com o violoncelista Xavier Phillips, acompanhado pela OML no Concerto para violoncelo nº 1, Op.107, do russo Dmitri Chostakovich. As obras de Chostakovich eram muito populares e bem recebidas na Rússia, mau grado a sua difícil relação com o estalinismo. Uma das obras com mais sucesso deste compositor foi a Sinfonia nº 7 "Leninegrado", Chostakovich começou a escreve esta sinfonia durante o cerco da cidade pelas tropas de Hitler, onde prestou serviço como bombeiro. Xavier Phillips começou a estudar violoncelo com apenas 6 anos, neste momento é um dos mais consagrados violoncelistas franceses. A segunda parte do concerto foi preenchida com a Sinfonia nº 8 "A Grande", de Schubert, a obra mais ambiciosa deste compositor austríaco, e das últimas que escreveu. Começou a escrevê-la em 1826, terminou em Março de 1828 e veio a falecer em Novembro desse ano, de febre tifóide, com apenas 31 anos. Esta sinfonia sempre esteve envolta em controversia em relação ao seu número, para os musicólogos alemâes é a nº 7, será a nº 8 para o musicólogo austríaco Otto Deutsch, que organizou o catálogo das suas obras, e na maior parte do mundo é conhecida pela nº 9. Esta controvérsia deve-se ao facto de Schubert ter começado a esboçar uma sinfonia que nunca chegou a acabar e não pode ser tocada, e ainda porque há quem ache que a Sinfonia Inacabada sendo a 7ª na ordem cronologica deve ser considerada a última, por não estar acabada. A maior parte das suas obras só foi ouvida em público após a sua morte.

sábado, 8 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir a mais um excelente recital do pianista Jorge Moyano. Neste recital, efectuado no Aud.do Centro da Apoio Social de Oeiras, o pianista tocou três obras de Robert Schumann (1810-1856). Dando uma breve explicação antes de cada obra, Moyano começou o recital com as Cenas da floresta Op.82. Esta obra escrita em 1849, é composta por nove pequenas peças, com títulos relacionados com a floresta, como por exemplo: caçador à espreita, paisagem encantadora e pássaro profeta. Como um dos compositores românticos do século XIX, Schumann gostava da natureza, de passear pelo bosque, por isso a inspiração para estas belas cenas da floresta. Esta obra foi escrita 4 anos antes de se atirar ao Reno, numa tentativa de suicídio. Ao ler o romance "Adolescência", de Jean-Paul Richter, Schumann inspirou-se para escrever, em 1831, as doze peças para piano com o título Papillons Op.2. Esta obra foi o início da sua primeira grande fase criativa. Por fim, Jorge Moyano, interpretou o Carnaval Op.9. Com 22 secções, é o retrato dum baile de máscaras com personagens musicais, o Pierrot, o Arlequim, Chiarina, alusão à Clara, sua futura mulher, Chopin, Estrella, alusão a Ernestine, sua ex-namorada, etc. Em todas as secções aparecem as notas músicais que em alemão é o nome da cidade onde Ernestine nasceu, Asch, e as notas musicais do seu próprio nome Schumann. Foi considerado o poeta do piano dado a influência que a literatura teve na sua música.

domingo, 2 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao recital da pianista Teresa da Palma Pereira, no Aud.Mun. Ruy de Carvalho. Neste recital, a pianista executou obras dos compositores Johann Sebastian Bach (1685-1750), Joseph Haydn (1732-1809), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Claude Debussy (1862-1918), György Ligeti (1923-2006) e Ferencz (Franz) Liszt (1811-1886). De J.S.Bach, a pianista interpretou a Toccata BWV 914, escrita na primeira fase de composição de Bach e uma das mais bonitas do compositor, de Haydn foi tocada a Sonata para piano nº 52 "Hob:XVI 52", a última e a melhor sonata para piano escrita por este compositor austríaco. Para terminar a primeira parte, ouvimos a Sonata para piano nº 26 Op.81a "Les Adieux", de Beethoven. Esta sinfonia foi dedicada ao arquiduque Rodolfo da Áustria, seu aluno e amigo, quando este e sua família foram forçados a deixar Viena devido à guerra, por isso o subtítulo "Les Adieux". Após o intervalo, de Debussy, ouvimos Estampes e o "Étude pour les degrés chromatiques". Estampes é uma composição para piano com três movimentos e o "Étude pour les degrés chromatiques" faz parte dum conjunto de 12 peças, consideradas por Debussy de difícil execução, do húngaro Ligeti, ouvimos um dos seus dezoito estudos para piano solo, o Estude nº 8 "Fém", o concerto terminou com uma obra de Liszt, a sonata "Après une Lecture de Dante". Esta sonata, composta em 1849, foi inspirada na obra de Dante, A Divina Comédia. Curiosidade, esta pianista é filha do actual ministro da administração interna, Rui Pereira. Iniciou com 6 anos os estudos de música, completando com 20 anos a licenciatura em piano na Escola Superior de Música de Lisboa com a média geral de 19 valores. Tendo como professora a pianista Tania Achot.

sábado, 1 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao "Triplo concerto", no Auditório Municipal Ruy de Carvalho. Neste concerto, o trio composto pelos solistas, Lilia Donkova no violino, Zeynep Yamanturk ao piano e Viktoria Chichkova no violoncelo, executaram com a Orq.Câm.Cascais Oeiras, obras de Ludwig (Louis) Spohr (1784-1859), Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Joseph Haydn (1732-1809). De L. Spohr, o trio tocou a Abertura de "Jessonde" Op.63, uma das suas dez óperas. Este compositor alemão, que chegou a desfrutar de reputação igual à de Beethoven, hoje não é mais do que um nome nas enciclopédias de música clássica, deixou uma enorme produção musical, tendo composto mais de 150 obras, de diversos géneros. Spohr foi o inventor da peça que os violinos tem para os músicos colocarem o queixo, a queixeira, e foi o primeiro maestro a dirigir com batuta. Grande amigo de Beethoven, foi deste compositor que ouvimos a obra seguinte, o Concerto para violino, violoncelo e piano Op.56. Nascido em Bona, a maior parte da vida de Beethoven foi passada em Viena, onde chegou com 22 anos, tendo sido aluno de Haydn e Salieri. O seu período mais feliz foi entre os 24 e os 25 anos, vivendo de aulas e concertos, e participando activamente na vida mundana vienense. Infelizmente aos 25 anos começou a sofrer de surdez até à surdez total aos 49 anos. A última obra a ser tocada pelo trio, foi a Sinfonia nº 94 "Surpresa", de J.Haydn. Uma das mais famosas sinfonias do compositor, cheia de bom humor. As sinfonias foram as obras que mais popularidade deram a Haydn. Outra bonita sinfonia de Haydn é a Sinfonia nº 45 "Adeus". Numa próxima oportunidade falarei sobre esta obra. Este concerto teve como fio condutor a aproximação que existiu entre os três compositores, a grande amizade entre Spohr e Beethoven e o facto de Haydn ter dado aulas a Beethoven quando este foi para Viena. Falta acrescentar que a pianista Zeynep Yamanturk, é turca, e começou a tocar piano aos três anos e meio, a violinista Lilia Donkova e a violoncelista Viktoria Chichkova, são búlgaras, e elementos da Orq.Câm.Cascais Oeiras.

domingo, 25 de abril de 2010

Cultura é...

... assistir no CCB ao último dia dos "Dias da Música em Belém". Para começar, no Grande Auditório, ouvi a orquestra Divino Sospiro dirigida por Massimo Mazzeo, seu fundador, acompanhar o italiano Pietro Prosser no alaúde e o contratenor Cenk Karaferya, em obras do compositor alemão Georg Muffat (1653-1704), do italiano Giovanni Bononcini (1670-1747), de Antonio Vivaldi (1678-1741) e de George Frideric Handel (1685-1759). Gostei muito deste concerto pois sou grande apreciador do alaúde e de contratenores. Nova fuga à música clássica. Na Sala Fernando Pessoa, fui ouvir Blues a Solo, com Corey Harris, cantor e guitarrista de blues norte americano, muito aplaudido no final este magnífico bluesman. No Pequeno Auditório, assisti ao concerto que menos apreciei. Com direcção do violoncelista Bruno Borralhinho, o Ensemble Mediterrain, fundado em Berlim em 2002, interpretou duas obras de Isaac Albéniz (1860-1909), os Poèmes d´Amour e a Suite Española Op.47. Não gostei dos Poèmes d´Amour porque o ensemble foi acompanhado por uma narradora a ler os poemas, um bocado maçador, e a Suite Española, que gosto muito e conheço bem de ouvir em piano, foi uma decepção tocado por um agrupamento de música de câmara. Após este concerto que não apreciei fui ouvir um concerto que aguardava com expectativa. Com o título de Sementes do Fado, e com Os Músicos do Tejo, Ana Quintans, no canto, Ricardo Rocha, guitarra portuguesa e Marcos Magalhães no cravo, foi uma agradável surpresa esta fusão entre o fado tradicional, a guitarra portuguesa, e o barroco, com o cravo. Com as obras apresentadas ficámos a conhecer parte do ambiente musical que se vivia em Portugal entre a segunda metade do século XVIII e o início do século XIX. ... e talvez as origens do fado. Por fim, ouvi no Grande Auditório o Concerto de Encerramento dos Dias da Música de 2010, a Sónia Alcobaça, soprano, Paz Martínez Gil, contralto, Mário Alves, tenor e Alfredo García, barítono, o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, dirigido por Jorge Alves e a Orquestra Sinfónica Metropolitana, dirigida pelo maestro Cesário Costa, interpretaram a Sinfonia nº 9 Op.125, "Coral", de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Esta sinfonia que foi composta já em surdez absoluta, marcou uma revolução musical, o coro e os solistas foram pela primeira vez integrados numa sinfonia. O final é espectacular, com a conhecida Ode à alegria. Este ano foram "A paixões da alma", em 2011, será "A Europa e o Novo Mundo".

sábado, 24 de abril de 2010

Cultura é...

... assistir no CCB aos "Dias da Música em Belém". Comecei por assistir no Grande Auditório ao meu primeiro concerto do dia, com o Concerto para piano nº 2 Op.21, de Fryderyk Chopin (1810-1849), pelo consagrado pianista Jorge Moyano e pela Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida pelo Pedro Carneiro, instrumentista, chefe de orquestra e compositor, após o intervalo, a orquestra desta vez dirigida por José Eduardo Gomes, clarinetista da orquestra, tocou a Sinfonia nº 35, "Haffner", de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). O concerto seguinte, também no Grande Auditório, foi a Sinfonia fantástica Op.14, de Hector Berlioz (1803-1869), tocada pela Orquestra Sinfónica Metropolitana, dirigida pelo maestro israelita Nir Kabaretti, que já dirigiu as orquestras filarmónicas e sinfónicas de Israel, Tóquio, Zagreb, Belgrado, Madrid e Santa Barbara na Califórnia. Após este concerto, na Sala Sophia de Mello Breyner, assisti à actuação espectacular da pianista coreana Hyun-Jung Lim, que substituiu a chinesa Sa Chen. Neste recital a pianista executou os Estudos Op.10 e Op.25 de Fryderyk Chopin, tendo o público aplaudido de pé, devido à forma expressiva de tocar. Para fugir um pouco à dita música clássica, ouvi tango, interpretado pelo agrupamento português Lusotango, com nove anos de existência, este quinteto tocou o "novo tango" de Astor Piazzolla, como Adios Nonino, Escualo e Invierno Porteño, e o tango tradicional, como o famoso tango criollo El Choclo, de Ángel Villoldo. Para fechar este dia em beleza, de novo o Grande Auditório, com a alegria e a vivacidade do Gospel, com os London Community Gospel Choir. Quem não conhece Amazing Grace, Kumbaya e Oh Happy Day? Penso que o Grande Auditório nunca esteve tão cheio de juventude e alegria. Um final de dia em festa.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cultura é...

... ir assistir ao "Momentos de Música 2010", no Auditório do BP. Este concerto, do pianista italiano António Zambrini, que veio expressamente de Milão, não foi um concerto que me entusiasmasse por aí além. Gosto mais de António Zambrini integrado num trio do que a solo, digo isto porque comprei o seu cd, Songs from the Procol Harum Book, de 2010, com contrabaixo e bateria, e gosto bastante.

sábado, 17 de abril de 2010

Cultura é...

... ir ao Aud.Mun.Ruy de Carvalho assistir ao concerto a 4 mãos "Música e Cinema". Neste concerto os pianistas Patrizia Giliberti e Mauro Dilema, António Carrilho, flauta de bisel e a actriz Ana Rodrigues interpretaram música, de/e para filmes, que fizeram história. Do compositor italiano Nino Rota (1911-1979), tocaram música de filmes de Frederico Fellini, por exemplo, Amarcord e La Strada, do argentino Luis Bacalov (1930), O Carteiro, de John Williams (1932), compositor americano, o tema de A Lista de Schindler, de Gershwin (1898-1937), Porgy and Bess (I love you Porgy e Summertime), de Astor Piazzolla (1921-1992), o Libertango, do italiano Ennio Morricone (1928), Nuovo Cinema Paradiso e 1900, e por fim de Nicola Piovani (1946), La Vita é Bela. Espectáculo agradável musicalmente,
bonitas composições, acompanhadas pela projecção de cenas do respectivo filme. Quanto à parte em que a actriz interveio muito fraco, faltou ali qualquer coisa, talvez mais um elemento para dar alma à parte cénica. Para mim houve dois momentos especiais, quando foi tocado o Summertime, do qual tenho 82 versões, e o Libertango, tenho 13 versões, duas músicas que gosto muito.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cultura é...

... ir ao Museu da Música Portuguesa-Casa Verdades de Faria, ouvir o recital "Homenagem a Chopin e Schumann". Este recital teve como interpretes Luisa Tender, no piano, e um quarteto de cordas da O.C.C.O. O quarteto de cordas era composto pelo maestro Nikolay Lalov, no violino, Ana Elisa Ribeiro, no violino, Jeanne Antoniuk, na viola e Tiago Ribeiro, no violoncelo. O recital "Homenagem a Chopin e Schumann" insere-se nas homenagens que se estão a realizar ao longo de 2010, ano que se comemoram 200 anos do nascimento de Fryderyk Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856). Neste recital ouviu-se, o Trio para piano, violino e violoncelo op. 8, de Chopin e o Quinteto para piano e cordas op. 44, de Schumann. O trio de Chopin, único trio deste compositor, foi escrito dois anos antes de deixar Varsóvia. Ao deixar Varsóvia o seu destino era Londres, no entanto, ao passar em Paris, foi tal o fascínio pela sociedade parisiense que ficou por lá até falecer, em 1849, não com uma tuberculose como se pensou durante bastante tempo, mas com uma fibrose quística, uma enfermidade que afecta especialmente os pulmões. Quanto a Schumann, ouvimos o único quinteto que escreveu. Os últimos doze anos de Schumann foram muito complicados a nível de saúde, em 1844, após um extenuante ciclo de concertos com Clara, teve um esgotamento nervoso. Após alguns anos com a saúde restabelecida, as crises nervosas e os distúrbios psíquicos regressaram, na qual houve uma tentativa de suicídio, em 1850. Faleceu com 46 anos, numa profunda apatia, depois de dois anos de internamento numa clínica para doenças mentais.

domingo, 11 de abril de 2010

Cultura é...

... ir ao Grande Auditório do CCB ouvir o concerto "Sétimo fado" de Joana Amendoeira. Seria cultura se não tivesse sido uma decepção. Se eu não soubesse que já gravou sete cd´s, que em 1994, com doze anos, participou na Grande Noite do Fado, de Lisboa, em 1995, ganhou o primeiro lugar, na categoria de juvenil, da Grande Noite do Fado, do Porto, em 2004, ganhou o prémio Revelação, da Casa da Imprensa, diria que era a primeira vez que estava num palco. Achei-a inibida, desafinou várias vezes, sem ligação com os músicos, falta de força para puxar pelo público, que até estava com ela, percebeu-se que houve pessoas que vieram do Ribatejo, é natural de Santarém, para a ouvir. Parecia que não tinham ensaiado para este concerto. Talvez o Grande Auditório não seja o sítio indicado para este espectáculo. Como não sou apreciador de fado castiço e só conhecendo a Joana pelo que li, o que me levou a assistir ao concerto, foi o facto de ter como letristas e compositores de vários temas, João Monge, Vasco Graça Moura, José Luis Peixoto, Rosa Lobato Faria, Natália Correia e Pedro Tamen nos poemas e Paulo Paz, Mário Moniz Pereira e Bernardo Sassetti nas músicas. Além disso o acompanhamento era feito por contrabaixo, piano, violoncelo, percussão, viola de fado e guitarra portuguesa. Não fosse meia dúzia de canções/fados, dos vinte e dois cantados, diria que tinha sido um pobre espectáculo. Não me lembro de ter saído tão decepcionado dum espectáculo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto da Orquestra Polaca Sinfonia Iuventus. Esta magnífica orquestra, composta por músicos e alunos das academias de música da Polónia, com menos de trinta anos de idade, tocou obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827), Fryderyk Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856). Com a Abertura Egmont op. 84, de Beethoven, obra composta a pedido do escritor e pensador alemão Goethe, para acompanhar o seu drama Egmont, iniciou-se este belíssimo concerto. Segundo uma carta que Beethoven escreveu a Goethe, foi enorme o seu envolvimento na composição desta obra, não só pela admiração que tinha pelas obras de Goethe como pela emoção que sentiu durante a leitura deste drama. Beethoven, que não foi menino prodígio, tinha um carácter rebelde e irrascível, devido talvez à sua infância difícil, alcoolismo do pai e morte prematura da mãe. A sua forte personalidade incutia temor nas outras pessoas, mesmo que se sentissem atraídas pelo seu génio musical. Foi um homem sem sorte nos seus 57 anos de vida, além duma infância infeliz, as suas paixões desfaziam-se em desilusão, por isso nunca casou, e começou a perder a audição com 28 anos, quando a sua fama se começava a afirmar. Já em surdez total, terminou a sua obra prima, a Sinfonia nº 9, "Coral". Quem não conhece o Hino da Alegria? De Chopin, ouvimos o Concerto para piano e orquestra nº 2 op. 21, com o pianista Janusz Olejniczak, que participou no filme "O pianista", de Roman Polanski. Embora tenha o nº 2, ordem de publicação, este concerto foi o primeiro de dois de Fryderyk Chopin, fazendo parte do repertório da maioria dos grandes pianistas. Após o intervalo e para terminar o concerto, a orquestra brindou-nos com a Sinfonia nº 2 op. 61, de Schumann. Depois de ter ouvido, no espaço de três dias, duas vezes e ao vivo, esta bonita sinfonia, passei a gostar ainda mais desta obra, principalmente o Adagio, cujo tema é introduzido pelos violinos e acompanhado pelas madeiras. Muito bonito. Sem estar a pôr em causa o valor dos executantes, que diferença, ouvir esta sinfonia tocada pela Orquestra Polaca Sinfonia Iuventus, com 60 músicos do nível destes, no Grande Auditório do CCB e a mesma sinfonia pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, com cerca de trinta elementos, no Auditório Munícipal Ruy de Carvalho.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto "2 compositores esquecidos no tempo". Neste concerto, o trio Xuan Du, no violino, Catherine Strynckx, no violoncelo e Margarida Prates, ao piano, interpretou obras de Clara Schumann (1819-1896) e António Fragoso (1897-1896). O bonito Trio para piano e cordas op. 17, de Clara Schumann, que a própria apresentou no dia do seu aniversário, 13 de Setembro de 1847, prova que Clara, além de grande pianista também foi compositora, no entanto, a sua faceta de compositora foi ofuscada pelo génio de Robert Schumann. Segundo consta, Schumann apoiava a mulher na composição e Clara estreava todas as obras do marido. Clara Schuman foi uma mulher excepcional, pois entre as tournés que fazia, como pianista, e a composição, ainda teve tempo para criar 8 filhos. Do compositor português António de Lima Fragoso, o trio apresentou o Trio para piano e cordas op. 2, obra que não era tocada em Portugal há 40 anos. António Fragoso, apesar de falecer muito jovem, com apenas 21 anos, deixou centenas de composições de reconhecido valor, coros, lieder, suites, sonatas e trios, apreciadas nos centros musicais da Europa e na América, onde era mais conhecido que em Portugal. Com 17 anos entrou para o Conservatório Nacional, concluindo o curso de piano, três meses antes de falecer, com a máxima classificação. O seu Nocturno para orquestra é uma das suas mais belas obras instrumentais. No seu espólio foi encontrada uma carta que escreveu ao pai, com 18 anos, quando compôs um dos trios, na qual dizia: "...vou apresentar este trio em público, pois tenho a obrigação de marcar a posição a que tenho direito no plano musical nacional". Um recital com três belíssimos executantes e duas bonitas obras desconhecidas do grande público.

domingo, 7 de março de 2010

Cultura é...

... ir ao CCB assistir ao primeiro concerto do ciclo "Concertos à conversa". Neste concerto, moderado pela jornalista Manuela Paraíso, o pianista Miguel Henriques convidou a jovem, 11 anos, pianista moldava Ecaterina Popa e o bem conhecido Jorge Moyano. Após umas breves palavras de apresentação dos convidados, Ecaterina Popa e Miguel Henriques começaram por tocar a quatro mãos, do compositor húngaro György Kurtág (1962), Flores que somos e Jogos com harmonicos, duas peças da obra Játékok, de J.S.Bach (1685-1750), a Sonatina da Cantata "Actus Tragicus", o grande universo de Bach são as cantatas, escreveu 199, no entanto, há quem diga que os seis Concertos de Brandenburgo, são a música mais perfeita que se compôs, de Piotr Tchaikovsky (1840-1893), excertos da suite Quebra-Nozes, uma das mais conhecidas obras deste genial compositor russo, por fim, a Ecaterina tocou a solo, do francês Claude Debussy (1862-1918), Arabesque. Debussy foi um inovador, pois fugia à estética tradicional, caso da Suite Bergamasque, onde está incluido o famoso Clair de Lune. Jorge Moyano, após umas breves explicações, tocou as Cenas infantis op. 15, de Robert Schumann (1810-1856). Esta obra, um ciclo de treze miniaturas, são cenas da vida e do imaginário das crianças através da memória e do olhar dum adulto, o compositor. Schumann, escreveu e enviou estas peças a Clara, como resposta a uma carta dela onde dizia que o via como uma criança.

Cultura é...

... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho ao "Concerto de Primavera", da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras. Este concerto, com o auditório esgotado, foi preenchido com duas sinfonias, a Sinfonia breve, de Vincenzo Bellini (1801-1835) e a Sinfonia nº2 op. 61, de Robert Schumann (1810-1856). A sinfonia de Bellini, típicamente italiana, é uma das poucas escritas por este compositor natural de Catania, Sicília. Bellini é conhecido do grande público pelas suas óperas, principalmente a Norma e a La sonnambula. Se não tivesse falecido tão novo, apenas 34 anos, com uma inflamação nos intestinos, é provável que tivesse disputado com Verdi a supremacia da arte italiana do bel canto. Tendo vivido menos um ano que Mozart, que deixou uma obra notável, Bellini, que com 6 anos escreveu as suas primeiras peças, deixou-nos muito pouco. Bellini, tem a sua sepultura na Cattedrale di Sant´Agata, em Catania, local que visitei em Setembro passado. A sinfonia de Schumann, a segunda de apenas quatro, muito bonita, tem um lindíssimo Adagio. Filho de um bibliotecário, desde cedo pôde tomar contacto com as melhores obras literárias, talvez por isso, além da música, a outra sua paixão tenha sido a poesia. No final, a OCCO brindou a assistência com um lindíssimo encore, Träumerei (Sonhando), uma das miniaturas das Cenas infantis de Schumann.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cultura é...

... ir ao Palácio do Egipto, em Oeiras, ouvir um recital da pianista Luisa Tender. Esta jovem pianista portuguesa, deliciou-nos com obras de Frédéric Chopin (1810-1849), de quem Schumann escreveu em 1831, numa revista musical alemã:"Senhores, tirem o chapéu, está aqui um génio". Neste recital, inserido no ciclo de "Teclas ao fim da tarde", Luisa Tender, tocou três Mazurcas op. 33, dois Nocturnos op. 27 e a Balada op. 52. Estas mazurcas são o testemunho da maneira como este génio transformava uma popular dança polaca na arte mais sublime. De 1830 até à sua morte, em 1849, Chopin publicou 41 mazurcas. Os dois nocturnos, embora sejam duas obras distintas, quase se complementam, tal a forma como termina uma e começa a outra. A bonita balada, uma das quatro peças para piano compostas entre 1835 e 1842, é uma das obras mais divulgadas deste compositor. Para finalizar o recital, o encore foi uma peça de Chopin que não consegui identificar. Música de grande beleza neste fim de tarde em Oeiras. Um senão neste recital, o barulho que o banco da pianista fazia, sempre que fazia algum movimento. Foi tão notória esta situação, que a vereadora da Cultura da CMO, no final, pediu desculpa à Luisa Tender pelo sucedido, prometendo não voltar a acontecer.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cultura é...

... assistir no CAMB, em Algés, a um concerto do Moscow Piano Quartet. O MPQ apresentou obras de Sergey Taneiev (1856-1915), Alexandre Delgado (1965) e Robert Schumann (1810-1856), um compositor russo, um português e um alemão. De Taneiev, que eu não conhecia, tocaram o Quarteto com piano, obra onde é notória a fusão de influências de Brahms e da Arte Nova Alemã, uma obra lindíssima, especialmente o 2º andamento. De A.Delgado, membro do MPQ, toca violeta, executaram o Canteto para quarteto com piano, escrito para o festival de música de câmara "Cameralia", de Santiago de Compostela. Por fim, o Quarteto com piano que Schumann escreveu aos 18 anos, onde já se nota algo do Schumann adulto. Obra práticamente desconhecida, foi escrita em 1829 e só editada em 1979. É uma obra romântica, por isso muito bonita. Após a vinda ao palco por três vezes dos musicos, estes brindaram os presentes com um encore, o 2º andamento da obra de Taneiev. Lindo. Taneiev, que foi discípulo de Tchaikovsky, na classe de composição, entrou para o Conservatório de Moscovo com apenas 9 anos, onde se formou em piano em 1875. Faleceu de ataque cardíaco com 59 anos. A.Delgado, além de membro do MPQ, comenta concertos, é compositor e assina o programa "A propósito da música", na Antena 2. A fonte inspiradora de Schumann, que em 2010 se comemora o bicentenário do seu nascimento, foi a pianista e compositora Clara Schumann, sua mulher e mãe dos seus oito filhos. Schumann, faleceu com 46 anos, numa clínica para doenças mentais, após dois anos de internamento, por distúrbios psíquicos com tentativa de suicídio.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cultura é...

... assistir ao recital "Contraponto", do Ciclo Schumann. Neste concerto, o pianista polaco Piotr Anderszewski, interpretou na 1ª parte, de J.S.Bach (1685-1750), a Suite Inglesa nº 5 e de R.Schumann (1810-1856), Seis estudos em forma de Cânone, op. 56, após o intervalo o pianista começou com R.Schumann, tocando Cantos da madrugada, op. 133, de Ludwig van Beethoven (1770-1827), tocou a Sonata para piano nº 31, op. 110. Da Suite Inglesa gostei do Prelúdio e da Sarabande, dos Estudos gostei do 1º, muito "bachiano" e o Adagio muito ligado à Sonata de Beethoven. Os Cantos da madrugada, é uma das últimas obras para piano que Schumann escreveu antes de se atirar ao Reno, numa tentativa de suicídio. Na obra que devia coroar o recital, a Sonata para piano de Beethoven, só gostei da interpretação do Scherzo. Com o público a "chamar" o pianista ao palco duas vezes, este brindou-o com dois encore, Szymanowski e Beethoven. Assim terminou mais um recital deste ciclo, no bicentenário do nascimento de Robert Schumann.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto "O poeta e a sua musa", do Ciclo Schumann. Este concerto dedicado a Clara Schumann (1819-1896) e Robert Schumann (1810-1856), foi interpretado por dois magníficos executantes, Bruno Monteiro, no violino e João Paulo Santos, no piano. Começámos por ouvir da Clara, Três romances para violino e piano, após estas obras, ouvimos de Robert duas sonatas, a Sonata para violino e piano nº 1, em lá menor, op. 105 e a Sonata para violino e piano nº 2, em Ré menor, op. 121. Neste momento ando a "descobrir" o casal Schumann, da Clara nunca tinha ouvido nada e de Robert, as obras que conheço melhor, são as Cenas infantis, treze obras-primas em miniatura e as Fantasias, oito peças para piano. Gostei mais das sonatas que dos romances. Clara Schumann, uma das maiores pianistas do século XIX, não obteve como compositora o mesmo sucesso. Tendo o público presente na Sala Eduardo Prado Coelho, aplaudido com entusiasmo os interpretes, estes brindaram-no com o encore Salut d´Amour, de Edward Elgar (1857-1934), compositor inglês.

Cultura é...

... assistir ao "Concerto de Carnaval", da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Neste concerto, inserido nos Concertos para Famílias, a OML tocou obras de Benjamin Britten (1913-1976), Pablo de Sarasate (1844-1908) e Darius Milhaud (1892-1974). Antes da OML entrar no palco, o grupo de Percussões da Metropolitana, mascarados com umas cabeleiras e máscaras, tocaram de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Sambach, e de Andy Smith, Lalopalooza!, compositor e peça desconhecidos para mim, que o público sublinhou com bastantes palmas, pois eram duas peças bastante alegres. Terminado este momento de descontracção, a OML começou por nos apresentar do compositor e pianista inglês Benjamin Britten, Carnaval do Canadá, uma rapsódia de melodias tradicionais do Canadá. Inicialmente com o título de Kermesse Canadienne, passou a chamar-se Carnaval por não existir no inglês a palavra Kermesse, de Pablo Sarasate, compositor e virtuoso violinista espanhol, a muito conhecida, Fantasia Carmen, uma adaptação de excertos da famosa ópera de Bizet, um dos momentos mais bonitos do concerto, e para terminar, de Darius Milhaud, a suite orquestral Carnaval de Londres, baseada na peça de teatro musical Ópera dos Mendigos, do século XVIII. Na sua imensa obra a influência brasileira é notória, Milhaud, que durante dois anos foi secretário do embaixador francês no Rio de Janeiro, compôs o famoso Saudades do Brazil, e Scaramouche, composição para dois pianos. O concerto terminou com o público, miúdos e graúdos, satisfeitos com mais esta acção de propaganda da música clássica da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Cultura é...

... ir assistir ao concerto do violoncelista Jed Barahal e a pianista Christina Margotto. Neste concerto dedicado a Frédéric Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856), estes magníficos executantes tocaram duas peças para violoncelo e piano destes grandes compositores. A Sonata violoncelo e piano de Chopin, escrita em 1846, foi a única sonata que o compositor escreveu para violoncelo e piano e a última obra publicada em vida. Chopin, que era filho de um professor de francês e de uma pianista polonesa, adoptou o nome afrancesado de Frédéric Chopin a partir do nome polaco Fryderyk Franciszek Chopin. Excelente pianista, foi com 8 anos que apareceu em público para o seu 1º concerto. Embora tendo vivido os anos de maior maturidade em Paris, onde chegou com 21 anos, o folclore polonês teve uma grande influência na sua música, quer nas mazurcas (41), dança popular polaca, quer nas polonaises, dança nacional polaca. Além das obras atrás referidas, Chopin, escreveu lindíssimas valsas, baladas, nocturnos, prelúdios e estudos. A Fantasiestücke de Schumann, composta por oito peças para piano, embora bonita, não gostei tanto como gosto das Cenas infantis ou o Concerto para piano em lá menor, Op. 54. Após a morte do pai, quando tinha 16 anos, a mãe impôs-lhe um curso de Direito, que abandonou ao ouvir Paganini. Ficou tão impressionado com este encontro, que desistiu do estudo das leis para se dedicar à música, iniciando a sua primeira grande fase criativa, com 12 peças para piano. A segunda fase seria a dos Lieder. Este concerto, que teve pouca assistência, foi mais uma divulgação das obras destes compositores cujo nascimento ocorreu à 200 anos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cultura é...

... ouvir o cd "La Folia" (1998), de Jordi Savall. Jordi Savall, magnífico violonista catalão, tornou-se conhecido pelo seu estilo de interpretação com viola da gamba, na música medieval,
renascentista e barroca. Com obras compostas entre 1490 e 1701, este cd começa com Folias Antiguas, integrando quatro peças, uma de autor anónimo, as outras de Diego Ortiz (1510-1570), de António de Cabezón (1510-1566) e de Juan Del Enzima (1468-1530). Continua com Diferencias sobre Las Folias de Antonio Martin y Coll ( ? -1734), Follias de Arcangelo Corelli (1653-1713) e Couplets de Folies de Marin Marais (1656-1728). Neste cd, Jordi Savall e seus companheiros, entre eles, a sua filha Arianna na harpa, e Pedro Estevan na percussão, tocam La Folia, a mais antiga estrutura musical com origem na Península Ibérica. La Folia, foi mencionada em obras de Gil Vicente como dança de camponeses e pastores. Para quem gosta deste género de música, La Folia é uma maravilha.

Cultura é...

... assistir ao concerto "Samuel Barber-100º aniversário", com a Orq.Cam.Cascais Oeiras. Este ano, celebram-se os 100 anos do nascimento de Samuel Barber (1910-1981), compositor americano que se tornou famoso com o Adagio for strings, devido à sua divulgação, pois faz parte da banda sonora do filme "Platoon" e ter sido tocado nos funerais de Franklin Roosevelt e do Princípe Rainier. Este concerto começou com o referido Adagio, com excelente interpretação da O.C.C.O. Seguiu-se Capricorn Concerto, para flauta, oboé, trompete e cordas. Esta obra, pouco conhecida, foi inspirada numa casa que Barber comprou e a que chamou Capricórnio, devido à luminusidade que a casa tinha no Inverno, no período deste signo. Com três andamentos, são três temas dedicados a cada um dos membros do agregado familiar. Nesta obra, encontramos influências de Stravinsky, curiosamente compositor que Barber não admirava. Para terminar, a O.C.C.O. tocou o Concerto Grosso, do compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958). Vaughan Williams, que estudou orquestração com Maurice Ravel, é muitas vezes, considerado o maior compositor inglês do século XX. Ficou célebre pelos seus hinos e arranjos de canções folclóricas inglesas. Curiosidade, Vaughan Williams era sobrinho-neto de Charles Darwin. A pedido do público, que enchia práticamente o auditório, o maestro Nikolay Lalov, regressou para o encore, e dirigiu a O.C.C.O. nos dois primeiros andamentos da Serenata para cordas, Op. 1, primeira obra publicada por Barber, quando tinha 18 anos. Barber começou a tocar piano com seis anos, a compor com sete e aos 12 era organista. No próximo dia 9 de Março celebram-se os 100 anos do seu nascimento.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Cultura é...

... assistir à "Grande Exibição Artística" da Universidade Normal do Nordeste da China. Este espectáculo, realizado na Aula Magna da Universidade de Lisboa, feito por alunos do Conservatório de Música da referida Universidade, é constituído por dança, música e artes marciais. Durante cerca de noventa minutos, foi oferecido um espectáculo de luz, cor, música, e expressão corporal como os orientais o sabem fazer. Gostei imenso da música que acompanhou os bailados, com muita percussão. Houve quatro momentos de grande beleza, A dança dos pauzinhos e O pavão, danças masculinas do Tibete e da etnia Dai, Flores de jasmim e Flor de prata na montanha Negra, música folclórica de Jiangsu e dança feminina da etnia Wa, com uma belíssima coreografia, Erva na água, dança representando a vitalidade feminina e Cintura esbelta, de novo dança folclórica da etnia Dai. Alguns destes quadros foram premiados em concursos nacionais. Também gostei da Dança de tambor do Tibete, representando a dança do pastor tibetano. Nos quadros músicais, menos espectaculares, tivemos música calma e suave. Gostei de ouvir a pipa, instrumento de quatro cordas parecido com o alaúde, com um som muito bonito, o erhu, instrumento tradicional da China, é o violino chinês, só com duas cordas, também tem um som muito bonito, a flauta de bambu, já conhecia, o suona, uma espécie de oboé chinês, não me agradou, pois tem um som muito estridente. Quanto às artes marciais, houve uma demonstração de Wushu e Kungfu, também gostei, mas gostei mais das danças e da música.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto "Música Espanhola" da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Este concerto realizado no Aud.do Colégio Marista, em Carcavelos, insere-se nas comemorações dos 18 Anos-Idade Maior, da OML. No concerto, além da OML, dirigida pelo maestro espanhol Jesús Amigo, tocou o guitarrista Dejan Ivanovic, natural da Herzegovina. Com o auditório práticamente lotado, a orquestra começou por executar a Sinfonia nº 12, de Carles Baguer (1768-1808), o compositor catalão que mais se destacou na composição de sinfonias, escreveu cerca de vinte, influenciado pela música de Joseph Haydn, vários concertos e sonatas. Grande parte da sua música foi escrita para orgão, talvez por ter sido organista da Catedral de Barcelona. Já com o guitarrista Dejan Ivanovic em palco, foi a vez de se ouvir o Concerto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo (1901-1999), esta composição para guitarra e orquestra foi a sua obra prima. Quem não conhece o seu belíssimo Adagio? Este segundo andamento representa o diálogo entre a guitarra, o fagote, o oboé, o trompete e a trompa. Segundo consta, o Concerto de Aranjuez foi inspirado num passeio que Rodrigo fez com a sua mulher Victoria, nos Jardins do Palacio Real de Aranjuez. Desta obra há centenas de versões, das quais tenho algumas, Miles Davis (Tp), James Galway (Flt), Marisa Robles (Hrp), Paquito D´Rivera (Sx), Paco de Lucia (Gt), etc. Fantasia para un Gentilhombre, é a outra obra mais conhecida de Rodrigo. Cego desde os três anos devido a difteria, este compositor nascido na província de Valência, foi um excelente pianista, no entanto, foi quem mais popularizou a guitarra na música clássica do século XX. Após o intervalo, a OML, tocou de Manuel de Falla (1876-1946), a Suite nº 1 do bailado "O chapéu de três bicos" e a Suite do bailado "O amor bruxo". Não tendo sido música composta para bailado, foi Sergei Diagilev que pediu ao compositor a adaptação de "O chapéu de três bicos" para a sua companhia, pois ficou entusiasmado ao ouvi-la em Madrid.. "O amor bruxo", música composta inicialmente para seis instrumentos, foi adaptada mais tarde pelo compositor para orquestra, passando também a ser bailado. Deste bailado faz parte a bem conhecida Dança ritual do fogo. Manuel de Falla, que recebeu de sua mãe, óptima pianista, a sua primeira instrução musical, com Isaac Albéniz e Enrique Granados, fez parte do trio de compositores da grande música nacionalista espanhola. Com o início da Guerra Civil Espanhola teve de se refugiar na Argentina, onde veio a falecer em 1946, bem longe da sua terra natal, Cadiz. Jésus Amigo, natural de Bilbao, é um reputado maestro, tendo dirigido a Orquestra Nacional de Espanha, a Kammerorchester Berlin, a Orquestra Sinfónica do México, a North Czech Philharmonic, a Beijing Symphony, etc. Excelente concerto, com o público a "obrigar" o maestro a vir ao palco três vezes. A OML, que este ano comemora 18 anos, entre o final de 2009 e o início de 2010, fez uma digressão por oito cidades da China, com enorme sucesso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cultura é...

... assistir ao recital "F.Chopin e R.Schumann-200 Anos". Este recital realizado no belíssimo espaço que é o salão nobre do Palácio dos Aciprestes, em Linda-a-Velha, teve como intérprete o pianista italiano Antonio di Cristofano. Este pianista executou, de Frédéric Chopin (1810-1849), o Scherzo, Op. 26, nº 1 e o Scherzo, Op. 31, o Nocturne, Op. 9, nº 1 e o nº 2 e a Polonaise Fantaisie, Op. 61 e de Robert Schumann (1810-1856), o Arabeske, Op. 18 e a Sonata, Op.22. Com o salão cheio como nunca vi, o público aplaudiu de pé o pianista, que nos brindou com um encore tocado só com a mão esquerda. Antonio di Cristofano, que tem actuado nos mais importantes festivais, já tocou no Carnegie Hall, em Nova Iorque e no Konzerthaus de Viena, recentemente. Este pianista que ouvi tocar pela primeira vez, impressionou-me pela energia que põe nas suas interpretações. Chopin, de origem polaca, viveu a maior parte da sua vida em Paris, onde conheceu George Sand, pseudónimo da escritora Amandine Aurore Lucile Dupin, que foi sua amante. Foi na casa de campo da escritora que Chopin compôs a maior parte da sua obra, quase totalmente dedicada ao piano. Quanto a Schumann, nascido na Alemanha, como seu pai era bibliotecário, desde cedo contactou com as melhores obras literárias, tendo começado a estudar Direito. O grande interesse pela música e a admiração por Paganini, levaram-no a Leipzig para se dedicar à música, estudando piano e composição. Em Leipzig estudou piano com aquele que viria a ser seu sogro, Friedrich Wieck, pai da pianista Clara Wieck, mais tarde Clara Schumann. Devido às duas grandes paixões, música e poesia, é autor de magníficos lieder (canções).

Cultura é...

... ir ao CCB assistir ao "Concertos para Famílias", do ciclo Caixa de Música. Estes concertos da Orquestra Metropolitana de Lisboa, são uma forma das famílias passarem a manhã de domingo no CCB a ouvir música de repertório clássico. Neste concerto, o maestro César Viana, director da OML, fez uma breve apresentação antes de cada uma das obras ser tocada. A Metropolitana, neste concerto, tocou de W.A.Mozart (1756-1791), o Concerto para trompa nº 4, K 495, e de Modest Mussorgski (1839-1881), os Quadros de uma exposição. O bem conhecido Concerto de trompa de Mozart é lindíssimo, fazendo a trompa lembrar o ambiente das caçadas. Este foi um dos quatro concertos compostos por Mozart para o seu amigo Joseph Leurgeb, executante de trompa de Viena. A obra de Mussorgski, é baseada na contemplação de dez quadros e aguarelas do arquitecto e pintor russo Victor Hartmann (1834-1873), numa visita imaginária a uma exposição póstuma realizada alguns meses após a sua morte. Com a obra-prima Boris Godunov, esta é a mais conhecida obra do compositor, tendo cerca de trinta e uma adaptações oficiais, sendo a mais conhecida a de Maurice Ravel. Mussorgski foi o único compositor russo que conseguiu exprimir na sua música o espirito do seu povo. Faleceu aos 42 anos, com uma doença nervosa.
Nota: Sendo um concerto para famílias, para maiores de 3 anos, talvez a escolha das obras não tenha sido bem sucedida, principalmente os Quadros..., devido à sua extensão. O concerto durou cerca de 1h30, e os mais pequenos a certa altura começaram a fartar-se.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto de Maria João Pires e Rufus Müller, no CCB. Com o Grande Auditório práticamente cheio, Maria João Pires e o tenor anglo-germânico Rufus Müller interpretaram Winterreise (Viagem de Inverno), de Franz Schubert (1797-1828). Esta obra, composta em 1827, um ano antes da morte deste compositor austríaco, é considerada um dos mais famosos ciclos de lieder (canção) da história da música. Escrita para 24 poemas de Wilhelm Müller, poeta alemão, Winterreise conta-nos episódios de uma viagem pouco linear,
não nos dizendo quem é o viajante nem qual o seu propósito, talvez a viagem de todos nós. Schubert foi o grande impulsionador do género do lied, escreveu o primeiro em 1814, com dezassete anos. Devido à sua intensa actividade de composição, só em 1815 escreveu 150,
elevou o género ao mais alto nível. Para quem ia à espera de uma actuação soberba da "nossa" Maria João Pires, deve ter saído decepcionado do CCB, Rufus Müller com a sua magnífica voz, foi o grande protagonista da noite, apagando por completo a grande pianista. Segundo a minha opinião, foi o concerto de "Rufus Müller acompanhado ao piano por...". Apesar de ter sido a primeira vez que assisti a um concerto do género, cantado em alemão, gostei.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cultura é...

... ir assistir ao "Concerto de Ano Novo". Este concerto, apresentado no Auditório do Colégio Marista de Carcavelos pela O.C.C.O. é sempre um êxito, o auditório estava quase cheio, não obstante a hora tardia, 18h30, e o tempo nada convidativo. A orquestra começou por tocar o Prelúdio e Mazurka da Suite do Ballet "Coppélia", do compositor francês Léo Delibes (1836-1891), de seguida a mezzo-soprano Paula Morna Dória interpretou duas árias da "Carmen", de Georges Bizet (1838-1875), Chanson Bohéme e Séguidille. Após estas duas
árias, Lilia Donkova, violinista da orquestra, acompanhada pela mesma tocou a solo a peça Romança, do compositor e violinista polaco Henry Wieniawski (1835-1880), segundo o maestro Lalov, este violinista poder-se-ia comparar ao grande Paganini. Antes do intervalo, a Paula Morna Dória, cantou de Gioachino Rossini (1792-1868), da ópera "L´Italiana in Algeri", a ária Cruda sorte!Amor tiranno! Após o intervalo, a orquestra tocou de Rossini, a Abertura da ópera "Il Signor Bruschino". As tão aguardadas valsas e polkas começaram com o austríaco Johann Strauss Jr. (1825-1899). Começamos por ouvir, a Valsa do Imperador Op. 437, quase uma peça orquestral, dedicada ao Imperador austro-húngaro Francisco José, em 1888. De regresso ao palco, Paula Morna Dória, cantou uma ária da ópera "O morcego", primeiro grande êxito de Johann Strauss II. De Josef Strauss (1827-1870), irmão de Johann, ouvimos a orquestra tocar a polka, Die Libelle, Op. 204. Com árias das óperas "La Perichole" e "La Grande Duchesse de Gérolstein", de Jacques Offenbach (1819-1880), compositor francês e pai das operetas, a mezzo-soprano Paula Morna Dória terminou a sua actuação. De novo com Johann Strauss II, ouvimos a O.C.C.O., com o maestro Nikolay Lalov no violino, a valsa Tales from the Vienna Woods, Op. 325 e de Josef Strauss, a polka rápida Ohne Sorgen, Op. 271. Para finalizar, com o público a acompanhar com palmas, a tão esperada Marcha de Pompa e
Circunstância, Op. 39, do compositor inglês Edward Elgar (1857-1934). Nota final, certo dia, Johann Strauss, criador das valsas vienenses, em conversa com Hector Berlioz, de quem era admirador, disse que gostava de ser como ele e saber compor música para a alma, tendo Berlioz respondido que gostava de ser como ele e saber compor música para as pernas, por as valsas serem para dançar.