... assistir no Grande Auditório do CCB, ao concerto "Em Ré maior", da Orquestra de Câmara Portuguesa. Sob a direcção de Pedro Carneiro, a O.C.P. interpretou obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Johannes Brahms (1833-1897), compositores em que Ré maior é uma tonalidade dominante nas suas obras. A primeira parte foi preenchida com o Concerto para violino e orquestra em Ré maior, Op. 61, de Beethoven. Com o romeno Adrian Florescu, como solista, ouvimos o concerto mais longo deste compositor alemão, só o primeiro andamento tem mais de vinte e cinco minutos, e ainda com a particularidade de o segundo andamento estar ligado ao terceiro. Esta obra, estreada em Viena em 1806, tendo como solista Franz Clément, por quem Beethoven nutria grande admiração, só se tornou célebre a partir de 1844, quando um jovem prodígio, Joachin de seu nome, de apenas treze anos, a apresentou em Londres, sob a direcção de Mendelssohn. Após o intervalo, ouvimos a O.C.P. interpretar a Sinfonia nº 2 em Ré maior, Op. 73, de Brahms. Brahms, que numa digressão pela Alemanha, conheceu Joseph Joachin, o grande violinista húngaro que tornou famoso o Concerto de Beethoven, que a O.C.P. interpretou na primeira parte deste concerto, foi quem iniciou Brahms na técnica dos instrumentos da orquestra, que até então se limitava ao piano. Joachin foi quem introduziu este compositor na corte de Weimar, onde conheceu Liszt e Schumann. Brahms, quando jovem, foi considerado o sucessor de Beethoven e Schubert, no que diz respeito ao estilo sinfónico, tendo Schumann dito, quando o conheceu, que o seu destino seria a escrita para orquestra.
Magnífico concerto.
sábado, 30 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Cultura é...
... ouvir no Pequeno Auditório-Sala Eduardo Prado Coelho, do CCB, o pianista Artur Pizarro tocar o 2º recital da "Integral da obra para piano" de Fryderyk Chopin (1810-1849). 2010, ano em que se celebra o bicentenário do nascimento deste grande compositor polaco, Artur Pizarro irá interpretar em nove recitais a sua obra completa para piano solo. Neste recital, com obras do período de 1827 a 1834, Artur Pizarro que tocou com a pianista luso-americana Jill Lawson, como artista convidada, uma peça, iniciou o recital com a Sonata para piano nº 1, em Dó menor, Op. 4, de 1827/1828, uma lindíssima sonata e bem conhecida. A primeira parte do recital terminou com Jill Lawson e Artur Pizarro a intrepertarem o Rondo para dois pianos, em Dó maior, Op. 73, de 1828, mais uma bonita obra de Chopin. Após o intervalo, Artur Pizarro iniciou a segunda parte do recital com a Polonaise, em Sol bemol maior, escrita em 1829, seguiram-se a Valsa, em Si menor, Op. 69 nº 2 e a Valsa, em Mi maior, de 1829, e a Valsa, em Mi menor, de 1830. Antes de ouvir-mos mais duas valsas, Pizarro interpretou Variações em Lá maior, "Souvenir de Paganini", de 1829. As valsas que tocou após esta peça foram, Valsa, em Mi bemol maior, de 1830 e a Valsa, em Ré bemol maior, Op. 70 nº 3, de 1829. Continuando a interpretar obras escritas no período de 1827 a 1834, ouvimos Três Mazurcas Op. 68, a Nº 2 em Lá menor, a Nº 1 em Dó maior e a Nº 3 em Fá maior, de 1827/1829, terminando muito bem com o Andante spianato et Grande polonaise brillante, em Mi bemol maior, Op. 22, escrito entre 1830-1834. Magníficas interpretações e belíssimas obras. Chopin que faleceu e foi sepultado em França, de tuberculose (tese por vezes posta em causa), tem a seu pedido, o coração em Varsóvia, na Igreja de Santa Cruz.
domingo, 10 de outubro de 2010
Cultura é...
... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho, em Carnaxide, ao recital de piano de Tullio Forlenza. Depois do recital da véspera, em Oeiras, hoje o pianista tocou obras de dois compositores russos, Alexander Borodin (1833-1887) e Igor Stravinsky (1882-1971). De Borodin, compositor nacionalista que fez parte do Grupo dos Cinco, ouvimos a Pequena suite. Além de tocar os sete andamentos escritos por Borodin, o pianista tocou ainda, o Scherzo em lá bemol maior, que Glazunov acrescentou a esta obra, quando a orquestrou e reorganizou, após a morte de Borodin, em 1887. De Stravinski, que sofreu influência dos vários países onde viveu desde que saiu da Rússia, com 28 anos, ouvimos as peças Ragtime, Tango, Circus polka e três andamentos da versão para piano de Petrushka. Petrushka, foi o segundo dos três ballets escritos a pedido de Sergei Diaghilev, empresário e director dos Ballets Russes. Os outros ballets foram, O pássaro de fogo e A sagração da Primavera. Stravinski viveu em França, na Suiça e nos Estados Unidos, onde faleceu em 1971. Embora tenha falecido nos E.U. foi sepultado em Veneza bem perto da sepultura de Diaghilev, seu grande amigo.
Cultura é...
... assistir no Aud. Centro de Apoio Social de Oeiras, ao recital "Kinderkonzert", pelo pianista italiano Tullio Forlenza. Este recital, integrado no ciclo Música em Diálogo, do maestro José Atalaya, com o subtítulo Meditações de infância, foi baseado em obras cujo tema é a infância. Foram tocadas obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Robert Schumann (1810-1856) e Dmitry Shostakovich (1906-1975). O pianista iniciou o recital com a bem conhecida Sonata para piano nº 16 em dó maior K 545, "Sonata fácil", de Mozart. Inspirada nas crianças, esta lindíssima sonata que o pianista austríaco Artur Schnabel disse um dia ser "fácil para as crianças, complicado para os virtuosos", só se tornou conhecida após a morte do compositor, em 1805. De Beethoven, ouvimos a pouco conhecida Sonata WoO 47, nº2 em fá menor. Escrita quando tinha pouco mais de 24 anos, foi uma das primeiras sonatas deste grande compositor alemão. Após a sonata de Beethoven, foi a vez das Cenas infantis Op.15, de Robert Schumann. Consta que Schumann numa das cartas que escreveu a Clara Wieck dizia que se tinha inspirado na sua infância quando escreveu as 13 peças desta obra. Estas obras-primas em miniatura revelam o grande talento deste grande pianista e compositor, sendo, Sonhando, À lareira e Fala o poeta, as mais conhecidas. Este belíssimo recital chegou ao fim com as Danças das crianças, de Shostakovich. Esta obra, práticamente desconhecida do público, é muito bonita. Nascido em Sampetersburgo, Shostakovich com dezassete anos acompanhava filmes mudos tocando piano nos cinemas e com dezanove anos diplomou-se no Conservatório da sua cidade natal. Uma das suas obras emblemáticas é a Sinfonia nº 7 "Leninegrado", composta para evocar a agressão hitleriana contra a URSS, no cerco de Leninegrado, onde morreram 600.000 pessoas. Shostakovich viveu grande parte desse cerco na cidade, tendo prestado serviu como bombeiro. Devido aos muitos aplausos da assistência, o pianista brindou-nos com um magnífico encore, a Bagatela para piano WoO 59 em lá menor, a famosíssima "Für Elise".
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