domingo, 16 de janeiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Palácio dos Aciprestes, em Linda-a-Velha, ao recital "J.Brahms e N.Rota". Neste recital tocaram, Vladimir Pavtchinskii, clarinete, João Lucena e Vale, piano, e Viktoria Chichkova, violoncelo, solistas da O.C.C.O. Foram interpretadas obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827), Nino Rota (1911-1979) e Johannes Brahms (1833-1897). O recital começou com o Trio para clarinete, piano e violoncelo, Op. 11, nº 4, que Beethoven escreveu em 1797 para este tipo de formação. Formação semelhante ao trio de piano, na qual o clarinete é substituido pelo violino. Escrita durante o período em que Beethoven foi aluno de Haydn, nota-se na obra a sua grande influência. Talvez por ser um pouco triste, não gostei. De Nino Rota, ouvimos o Trio para clarinete, piano e violoncelo. Obra com três andamentos, o primeiro em andamento de valsa, o segundo com um sabor operático e o terceiro a fazer lembrar as cenas de circo dos filmes de Fellini. Este compositor italiano, de formação norte- americana, ao contrário do que se pensa, não escreveu só música para filmes, nomeadamente para Fellini, compôs também óperas, sinfonias, concertos e música de câmara. Por fim, ouvimos o bonito Trio para clarinete, piano e violoncelo, em Lá menor, Op. 114, de Brahms. Esta obra, o primeiro trio dos quatro que Brahms escreveu, foi composto após o compositor ter assistido a um concerto do clarinetista Richard Mühlfeld, do qual era grande admirador. O clarinete nesta obra, segundo a minha opinião, tem um papel secundário em relação aos outros instrumentos. Brahms, que começou a estudar piano aos 7 anos, deu o seu primeiro concerto com apenas 10 anos, tocando obras de Mozart e Beethoven. Um agradável fim de tarde, ouvindo belíssima música e o crepitar da lareira do bonito Salão Nobre do Palácio dos Aciprestes.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto "À descoberta do Mediterrâneo" com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o pianista António Rosado. Neste concerto foram tocadas obras de Gioachino Rossini (1792-1868), Camille Saint-Saëns (1835-1921) e Ahmed Adnan Saygun (1907-1991). Esta "descoberta" do Mediterrâneo começou com uma das menos representadas óperas de Rossini, a Abertura da ópera Il turco in Italia. Como em todas as óperas cómicas deste compositor, nesta não há dramaturgia, mas sim melodias e ritmos contagiantes. Bom início de concerto. Com António Rosado e a OML em grande nível, ouvimos o Concerto para piano nº 5, Op.103, O egipcio, de Saint-Saëns. Este compositor francês, que adorava viajar, inspirou-se numa das suas viagens ao Egipto para escrever este célebre concerto. Obra de grande virtuosismo, foi estreada pelo próprio compositor no concerto de celebração dos 50 anos da sua carreira. Para terminar, a OML interpretou do turco Ahmed Saygun a Sinfonia nº 1, Op. 29. Nos quatro andamentos desta sinfonia, Saygun soube bem sintetizar a influência que o mundo oriental e ocidental exerceu sobre a sua obra, devido ao conhecimento profundo da tradição musical do seu país e à sua formação europeia, onde estudou durante 3 anos. Devido às suas referências nos compositores românticos, nos neoclássicos e nos modernos, Saygun acaba por ser um compositor singular. Um bom concerto.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Mosteiro dos Jerónimos ao "Concerto de Reis", o último concerto do 1º Ciclo de Concertos de Órgão de Belém. Este concerto teve como interpretes, Sérgio Pacheco no trompete e António Esteireiro no órgão. Com a Igreja dos Jerónimos práticamente cheia, ouvimos obras de Henri Tomasi (1901-1971), Dietrich Buxtehude (1637-1707), Johann Sebastian Bach (1685-1750), Olivier Messian (1908-1992), Henri Sauguet (1901-1989) e Naji Hakim (1955). O concerto começou com Semaine Sainte a Cuzco, de Henri Tomasi, maestro e compositor francês. Tomasi começou na música com sete anos, quando o pai o inscreveu no Conservatório de Marselha, com lições de Teoria da Música. Entretanto, o pai obrigava-o a tocava para famílias da classe alta dessa cidade francesa, "onde Tomasi se sentia humilhado e se achava um animal amestrado". Ele, cujo sonho era ser marinheiro e esquecer as aulas de música. Com o passar dos anos esqueceu o sonho, dedicou-se à música, e assim nasceu um óptimo maestro e compositor. De Buxtehude, compositor e organista dinamarquês, ouvimos a Fantasia coral sobre "Wie schön leuchtet der Morgenstern". Sendo considerado o mais importante compositor alemão do período barroco, por ser de ascendência alemã, sempre se considerou dinamarquês, pois a localidade onde nasceu estava nessa época integrada na Dinamarca. Além de grande compositor foi um notável organista, a sua fama era tanta que foi visitado por vários compositores, entre eles Handel e o grande admirador da sua obra, o jovem Bach, que andou cerca de 400 km para o visitar durante 4 semanas, acabando por ficar cerca de 4 meses, "para compreender melhor a sua arte", palavras de Bach. Do grande Johann Sebastian Bach, Sérgio Pacheco e António Esteireiro, tocaram o Concerto em Ré maior, BWV 972 (a partir do Concerto RV 230 de Antonio Vivaldi). Le fils, Verbe et Lumière, de Olivier Messiaen, foi a obra que se seguiu. Messiaen foi organista da Igreja da Santíssima Trindade, em Paris, desde 1931, com apenas vinte e três anos, até à sua morte, em 1992. Quando foi feito prisioneiro de guerra dos alemães na Guerra de França, escreveu com os instrumentos que tinha, piano, clarinete, violino e violoncelo, o "Quarteto para o fim dos tempos", obra que estreou com amigos prisioneiros, perante reclusos e guardas. De Henri Sauguet, compositor francês, homossexual assumido, ouvimos Non morietur in aeternum. Este concerto de Reis terminou com a Sonata para trompete e órgão, de Naji Hakim. Hakim, organista, compositor e improvisador libanês, começou por ter aulas de piano, a nível particular com nove ou dez anos, no entanto pouco depois começou a aprender sózinho a tocar órgão. De 1985 a 1993, Hakim foi organista da Basilique du Sacré-Coeur. Quando Messiaen faleceu, em 1993, Hakim passou a ser o organista da Igreja da Santíssima Trindade, até 2008. Esperemos que este Ciclo de Concertos tenha continuidade, para podermos ouvir este belíssimo instrumento.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Cultura é...

... começar o ano de 2011 com o "Concerto de Ano Novo" da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no Grande Auditório do CCB. Neste concerto, a OML, sob a direcção do maestro norte americano Mark Laycock, interpretou obras de Johann Strauss II (1825-1899), Eduard Strauss (1835-1916), Josef Strauss (1827-1870), Almicare Ponchielli (1834-1886) e Johann Strauss I (1804-1849). O concerto começou com a Abertura da Opereta O Morcego, de Johann Strauss II, o mais famoso da família Strauss. Foi o começo de um belíssimo concerto da OML, e do maestro Mark Laycock, devido à forma expressiva de dirigir a orquestra. Após os muitos aplausos do público que práticamente encheu o Grande Auditório, começámos a ouvir de Eduard Strauss, Abram alas, Op. 45, uma polca rápida muito bonita. De novo, de Johann Strauss II, ouvimos duas obras, Na floresta de Krapfen, Op. 336, e Sede abraçado, milhões!, Op. 443. Na valsa Na floresta de Krapfen, os três percussionistas têm um papel muito importante, devido aos sons de pássaros que imitam. Seguiu-se a peça que menos gostei, a polca-mazurca Amor ardente, Op. 129, de Josef Strauss. De novo Johann Strauss II, o Galope dos bandidos, Op. 378, novamente a percussão a ter um papel importante nesta obra. com um dos seus elementos a imitar os tiros de pistola. De Josef Strauss ouvimos a bonita Valsa Delírio, Op. 212. Com o público cada vez mais entusiasmado com as valsas e as polcas, foi a vez de ouvirmos do italiano Almicare Ponchielli, a bem conhecida Dança das Horas, bailado da ópera La Gioconda. Com a OML e o maestro a terem uma actuação espectacular, ouvimos a bonita valsa Danúbio Azul, Op. 314, de Johann Strauss II, considerado o rei da valsa, pois escreveu mais de duzentas. Para finalizar em beleza este concerto, ouvimos a tão aguardada Marcha Radetzky, Op. 228, de Johann Strauss I, com o público que quase enchia o Grande Auditório, a bater palmas sob a direcção alegre e descontraida do maestro, como nos concertos de Ano Novo em Viena. Começo de 2011 em cheio.