quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Cultura é...
... assistir no Pequeno Auditório do C.C.B. ao concerto do Messiaen Quartet, preenchido com o Quarteto para o fim do Tempo, do compositor Olivier Messiaen (1908-1992). Sendo uma das poucas obras de música de câmara deste compositor francês, é no entanto uma das mais conhecidas e emblemáticas do século. Composta entre o final de 1940 e o início de 1941, foi escrita em condições precárias, pois o compositor encontrava-se num campo de prisioneiros na Silésia, inclusivamente foi um oficial alemão que lhe deu papel de música, lápis e borrachas, e lhe permitiu conservar as partituras que transportava aquando da sua captura. Inicialmente escrita para ser tocada por um trio de prisioneiros que tocavam violino, violoncelo e clarinete, mais tarde, quando Messian conseguiu arranjar um piano, passou a quarteto. Todos os oito andamentos deste quarteto foram escritos a partir de uma secção inicial, intitulada Intermède, tornando-se esta o quarto andamento da obra. No fim do programa o Messiaen Quartet interpretou dois encores, dois temas populares russos, muito bonitos. Este ensemble atípico, composto por um clarinete, um violino, um violoncelo e um piano, é formado por quatro jovens nascidos em Moscovo, já tendo participado em inúmeros festivais e vencido vários concursos internacionais.
domingo, 26 de setembro de 2010
Cultura é...
... assistir no Palácio do Egipto, em Oeiras, ao recital de Mário Laginha, integrado no ciclo de "Teclas ao fim da tarde". Este recital, tocado de improviso, tinha como base temas dos seus albuns, a solo, com Maria João, com Bernardo Sassetti e em trio. Com o espaço do recital cheio, Mário Laginha iniciou-o com um improviso do tema Sonho dos outros, do album "Mário Laginha Bernardo Sassetti", de 2003. Após uma breves palavras, do album a solo "Canções & Fugas", gravado em 2006, tocou os temas Fado e Berenice". Antes de novo improviso, mais umas breves palavras. Do album "Chorinho feliz", gravado em 2000 com Maria João, ouvimos o tema Um choro feliz, belíssima interpretação deste tema. Do album "Espaço", encomendado para a Bienal de Arquitectura de 2007, ouvimos o lindíssimo tema Tanto espaço. Este album foi gravado em trio, com Bernardo Moreira no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Para terminar o recital, Mário Laginha escolheu o tema Despedida, do album que gravou em 2003 com Bernardo Sassetti. Um fim de tarde muito agradável, não só pela música que ouvimos como pela companhia dos quadros da exposição de Juan Miró, que se encontra no salão do recital, nos fez.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Cultura é...
...assistir no CCB ao concerto "À descoberta da América", com a O.M.L. Neste concerto, comemorativo dos 200 anos do que é simbólicamente considerado o início do processo de independência dos países da América Latina em relação a Portugal e Espanha, a Metropolitana, sob a direcção musical de Cesário Costa, interpretou obras de quatro compositores latino-americanos do século XX. O concerto começou com a Suite em dois andamentos de "La noche de los Mayas", do virtuoso violinista e compositor mexicano Silvestre Revueltas (1899-1949), Neste tema, devido aos instrumentos de percussão, a influência das melodias tradicionais do México é notória. De Alberto Ginastera (1916-1983), compositor argentino com maior projecção internacional da sua geração, ouvimos as doze Variações Concertantes, Op.23. De todas as variações, as que mais gostei foi a I e a XII, interpretadas só pelo violoncelo e pela harpa, uma pequena maravilha. Após o intervalo, do brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), a O.M.L. tocou a Sinfonieta nº 1, em Si bemol maior, A15. A obra que menos apreciei neste concerto. Para terminar o concerto, a orquestra tocou do mexicano José Pablo Moncayo (1912-1958), a peça Huapango, nome de uma dança tradicional mexicana. Esta peça, a mais conhecida deste compositor, é uma música cheia de fervor, alegria e carisma mexicano. O concerto desta noite deu-me a conhecer compositores latino-americanos pouco divulgados.
sábado, 4 de setembro de 2010
Cultura é...
... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho ao "Concerto estival" com a O.C.C.O. Neste concerto foram tocadas obras de Fryderyk Chopin (1810-1849), Robert Schumann (1810-1856) e Franz Schubert (1797-1828). De Chopin, a O.C.C.O. interpretou a Polonaise em Lá maior, Op.40,nº1, "Militar". Em 1838, Chopin escreveu duas Polonaises Op.40. A nº 1, foi considerada pelo pianista russo Anton Rubinstein o símbolo da glória polaca, devido ao seu andamento "marcial", a nº 2, por ser triste, foi considerada pelo mesmo pianista, ser o símbolo da tragédia do povo polaco, com a invasão alemã na 2ª guerra mundial e a destruição de Varsóvia. A polonaise tocada hoje, é muito conhecida por ser ouvida com frequência em casamentos. De Robert Schumann, a O.C.C.O., acompanhada pelo violoncelista eslovaco Eugen Prochác, executou o Concerto para violoncelo e orquestra de cordas em Lá menor, Op.129. Schumann só compôs três concertos, um para piano, outro para violino e este para violoncelo. Onde Schumann mais se distinguiu foi nas obras para piano, no entanto, devido à sua paixão pela poesia e pela música, escreveu magníficos lieder (canções). Após a execução deste concerto, e devido aos muitos aplausos da assistência, o solista brindou-nos extra programa, com uma pequena peça do famoso violoncelista russo Mstislav Rostropovich. Depois de um curto intervalo, a orquestra tocou a Sinfonia nº 8 em Si bemol menor, D759, "Incompleta", de Schubert. Esta sinfonia tornou-se famosa por só ter dois andamentos, o compositor ainda esboçou um terceiro, mas interrompeu para se dedicar a outro projecto, nunca se sabendo a causa desta atitude. Esta foi mais uma das muitas obras que só se tornaram conhecidas após a morte do compositor, com apenas 31 anos.
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