domingo, 10 de outubro de 2010

Cultura é...

... assistir no Aud. Centro de Apoio Social de Oeiras, ao recital "Kinderkonzert", pelo pianista italiano Tullio Forlenza. Este recital, integrado no ciclo Música em Diálogo, do maestro José Atalaya, com o subtítulo Meditações de infância, foi baseado em obras cujo tema é a infância. Foram tocadas obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Robert Schumann (1810-1856) e Dmitry Shostakovich (1906-1975). O pianista iniciou o recital com a bem conhecida Sonata para piano nº 16 em dó maior K 545, "Sonata fácil", de Mozart. Inspirada nas crianças, esta lindíssima sonata que o pianista austríaco Artur Schnabel disse um dia ser "fácil para as crianças, complicado para os virtuosos", só se tornou conhecida após a morte do compositor, em 1805. De Beethoven, ouvimos a pouco conhecida Sonata WoO 47, nº2 em fá menor. Escrita quando tinha pouco mais de 24 anos, foi uma das primeiras sonatas deste grande compositor alemão. Após a sonata de Beethoven, foi a vez das Cenas infantis Op.15, de Robert Schumann. Consta que Schumann numa das cartas que escreveu a Clara Wieck dizia que se tinha inspirado na sua infância quando escreveu as 13 peças desta obra. Estas obras-primas em miniatura revelam o grande talento deste grande pianista e compositor, sendo, Sonhando, À lareira e Fala o poeta, as mais conhecidas. Este belíssimo recital chegou ao fim com as Danças das crianças, de Shostakovich. Esta obra, práticamente desconhecida do público, é muito bonita. Nascido em Sampetersburgo, Shostakovich com dezassete anos acompanhava filmes mudos tocando piano nos cinemas e com dezanove anos diplomou-se no Conservatório da sua cidade natal. Uma das suas obras emblemáticas é a Sinfonia nº 7 "Leninegrado", composta para evocar a agressão hitleriana contra a URSS, no cerco de Leninegrado, onde morreram 600.000 pessoas. Shostakovich viveu grande parte desse cerco na cidade, tendo prestado serviu como bombeiro. Devido aos muitos aplausos da assistência, o pianista brindou-nos com um magnífico encore, a Bagatela para piano WoO 59 em lá menor, a famosíssima "Für Elise".

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