domingo, 23 de maio de 2010
Cultura é...
... assistir ao concerto inaugural do "Ciclo de Concertos de Órgão no Mosteiro dos Jerónimos". Este concerto contou com a colaboração do barítono Armando Possante e do organista António Esteireiro. No novo órgão do Mosteiro dos Jerónimos, foram interpretadas obras de compositores de várias épocas, dos históricos aos contemporâneos. De Isfrid Kayser (1712-1771), principal compositor bávaro de música sacra, foi tocada Ouverture. Kayser foi director musical do Mosteiro de Marchtal, onde viveu grande parte da sua vida, e onde veio a falecer com 59 anos. De Francisco Correa de Arauxo (1584-1654), notável organista e compositor espanhol da Renascença, ouvimos pela voz de Armando Possante, duas obras. Este compositor, que durante parte da sua vida se viu envolvido em várias acções judiciais, tendo uma das vezes sido preso, faleceu em extrema pobreza. Do inglês William Boyce (1711-1779), que foi organista da Capela Real até a surdez o impedir de o fazer, ouvimos Voluntary in D. Tendo sido um dos mais importantes compositores ingleses do século XVIII, após a sua morte, caiu no esquecimento. A seguir, de J.S.Bach (1685-1750), considerado o mestre da música barroca, e o maior compositor da história da música, ouvimos uma das peças mais bonitas do concerto, Passacaglia e Fuga em dó menor. De novo a voz de Armando Possante, para interpretar Mörike Lieder, do austríaco Hugo Wolf (1860-1903) e do alemão "Max" Reger (1873-1916). Estes compositores, Wolf, especialista em lieder, e Reger, excelente organista, faleceram muito novos, tinham 43 anos, um com sífilis e o outro com um ataque cardíaco. Para finalizar este concerto, ouvimos obras de dois compositores franceses. O Prelúdio e Fuga em Sol menor, op. 7, nº 3, do organista, pianista e pedagogo Marcel Dupré (1886-1971), e cantado por Armando Possante, Les Angélus, Tríptico para canto e órgão, op. 57, de Louis Vierne (1870-1937). Louis Vierne, compositor e organista de renome, escreveu grande parte da sua obra em Braille, devido a uma catarata congénita de que sofria. Vierne foi o organista principal da Catedral de Notre-Dame de 1900 a 2-06-1937, dia em que faleceu, quando tocava num concerto. Durante a interpretação duma obra tombou do banco do órgão, segundo uns devido a um AVC, segundo outros devido a um ataque cardíaco. Assim se cumpriu o seu desejo, que era morrer ao teclado daquele órgão, e ainda tendo junto dele o grande amigo Marcel Dupré, que foi seu aluno no Conservatório de Paris.
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