quinta-feira, 25 de março de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto da Orquestra Polaca Sinfonia Iuventus. Esta magnífica orquestra, composta por músicos e alunos das academias de música da Polónia, com menos de trinta anos de idade, tocou obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827), Fryderyk Chopin (1810-1849) e Robert Schumann (1810-1856). Com a Abertura Egmont op. 84, de Beethoven, obra composta a pedido do escritor e pensador alemão Goethe, para acompanhar o seu drama Egmont, iniciou-se este belíssimo concerto. Segundo uma carta que Beethoven escreveu a Goethe, foi enorme o seu envolvimento na composição desta obra, não só pela admiração que tinha pelas obras de Goethe como pela emoção que sentiu durante a leitura deste drama. Beethoven, que não foi menino prodígio, tinha um carácter rebelde e irrascível, devido talvez à sua infância difícil, alcoolismo do pai e morte prematura da mãe. A sua forte personalidade incutia temor nas outras pessoas, mesmo que se sentissem atraídas pelo seu génio musical. Foi um homem sem sorte nos seus 57 anos de vida, além duma infância infeliz, as suas paixões desfaziam-se em desilusão, por isso nunca casou, e começou a perder a audição com 28 anos, quando a sua fama se começava a afirmar. Já em surdez total, terminou a sua obra prima, a Sinfonia nº 9, "Coral". Quem não conhece o Hino da Alegria? De Chopin, ouvimos o Concerto para piano e orquestra nº 2 op. 21, com o pianista Janusz Olejniczak, que participou no filme "O pianista", de Roman Polanski. Embora tenha o nº 2, ordem de publicação, este concerto foi o primeiro de dois de Fryderyk Chopin, fazendo parte do repertório da maioria dos grandes pianistas. Após o intervalo e para terminar o concerto, a orquestra brindou-nos com a Sinfonia nº 2 op. 61, de Schumann. Depois de ter ouvido, no espaço de três dias, duas vezes e ao vivo, esta bonita sinfonia, passei a gostar ainda mais desta obra, principalmente o Adagio, cujo tema é introduzido pelos violinos e acompanhado pelas madeiras. Muito bonito. Sem estar a pôr em causa o valor dos executantes, que diferença, ouvir esta sinfonia tocada pela Orquestra Polaca Sinfonia Iuventus, com 60 músicos do nível destes, no Grande Auditório do CCB e a mesma sinfonia pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, com cerca de trinta elementos, no Auditório Munícipal Ruy de Carvalho.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto "2 compositores esquecidos no tempo". Neste concerto, o trio Xuan Du, no violino, Catherine Strynckx, no violoncelo e Margarida Prates, ao piano, interpretou obras de Clara Schumann (1819-1896) e António Fragoso (1897-1896). O bonito Trio para piano e cordas op. 17, de Clara Schumann, que a própria apresentou no dia do seu aniversário, 13 de Setembro de 1847, prova que Clara, além de grande pianista também foi compositora, no entanto, a sua faceta de compositora foi ofuscada pelo génio de Robert Schumann. Segundo consta, Schumann apoiava a mulher na composição e Clara estreava todas as obras do marido. Clara Schuman foi uma mulher excepcional, pois entre as tournés que fazia, como pianista, e a composição, ainda teve tempo para criar 8 filhos. Do compositor português António de Lima Fragoso, o trio apresentou o Trio para piano e cordas op. 2, obra que não era tocada em Portugal há 40 anos. António Fragoso, apesar de falecer muito jovem, com apenas 21 anos, deixou centenas de composições de reconhecido valor, coros, lieder, suites, sonatas e trios, apreciadas nos centros musicais da Europa e na América, onde era mais conhecido que em Portugal. Com 17 anos entrou para o Conservatório Nacional, concluindo o curso de piano, três meses antes de falecer, com a máxima classificação. O seu Nocturno para orquestra é uma das suas mais belas obras instrumentais. No seu espólio foi encontrada uma carta que escreveu ao pai, com 18 anos, quando compôs um dos trios, na qual dizia: "...vou apresentar este trio em público, pois tenho a obrigação de marcar a posição a que tenho direito no plano musical nacional". Um recital com três belíssimos executantes e duas bonitas obras desconhecidas do grande público.

domingo, 7 de março de 2010

Cultura é...

... ir ao CCB assistir ao primeiro concerto do ciclo "Concertos à conversa". Neste concerto, moderado pela jornalista Manuela Paraíso, o pianista Miguel Henriques convidou a jovem, 11 anos, pianista moldava Ecaterina Popa e o bem conhecido Jorge Moyano. Após umas breves palavras de apresentação dos convidados, Ecaterina Popa e Miguel Henriques começaram por tocar a quatro mãos, do compositor húngaro György Kurtág (1962), Flores que somos e Jogos com harmonicos, duas peças da obra Játékok, de J.S.Bach (1685-1750), a Sonatina da Cantata "Actus Tragicus", o grande universo de Bach são as cantatas, escreveu 199, no entanto, há quem diga que os seis Concertos de Brandenburgo, são a música mais perfeita que se compôs, de Piotr Tchaikovsky (1840-1893), excertos da suite Quebra-Nozes, uma das mais conhecidas obras deste genial compositor russo, por fim, a Ecaterina tocou a solo, do francês Claude Debussy (1862-1918), Arabesque. Debussy foi um inovador, pois fugia à estética tradicional, caso da Suite Bergamasque, onde está incluido o famoso Clair de Lune. Jorge Moyano, após umas breves explicações, tocou as Cenas infantis op. 15, de Robert Schumann (1810-1856). Esta obra, um ciclo de treze miniaturas, são cenas da vida e do imaginário das crianças através da memória e do olhar dum adulto, o compositor. Schumann, escreveu e enviou estas peças a Clara, como resposta a uma carta dela onde dizia que o via como uma criança.

Cultura é...

... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho ao "Concerto de Primavera", da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras. Este concerto, com o auditório esgotado, foi preenchido com duas sinfonias, a Sinfonia breve, de Vincenzo Bellini (1801-1835) e a Sinfonia nº2 op. 61, de Robert Schumann (1810-1856). A sinfonia de Bellini, típicamente italiana, é uma das poucas escritas por este compositor natural de Catania, Sicília. Bellini é conhecido do grande público pelas suas óperas, principalmente a Norma e a La sonnambula. Se não tivesse falecido tão novo, apenas 34 anos, com uma inflamação nos intestinos, é provável que tivesse disputado com Verdi a supremacia da arte italiana do bel canto. Tendo vivido menos um ano que Mozart, que deixou uma obra notável, Bellini, que com 6 anos escreveu as suas primeiras peças, deixou-nos muito pouco. Bellini, tem a sua sepultura na Cattedrale di Sant´Agata, em Catania, local que visitei em Setembro passado. A sinfonia de Schumann, a segunda de apenas quatro, muito bonita, tem um lindíssimo Adagio. Filho de um bibliotecário, desde cedo pôde tomar contacto com as melhores obras literárias, talvez por isso, além da música, a outra sua paixão tenha sido a poesia. No final, a OCCO brindou a assistência com um lindíssimo encore, Träumerei (Sonhando), uma das miniaturas das Cenas infantis de Schumann.

terça-feira, 2 de março de 2010

Cultura é...

... ir ao Palácio do Egipto, em Oeiras, ouvir um recital da pianista Luisa Tender. Esta jovem pianista portuguesa, deliciou-nos com obras de Frédéric Chopin (1810-1849), de quem Schumann escreveu em 1831, numa revista musical alemã:"Senhores, tirem o chapéu, está aqui um génio". Neste recital, inserido no ciclo de "Teclas ao fim da tarde", Luisa Tender, tocou três Mazurcas op. 33, dois Nocturnos op. 27 e a Balada op. 52. Estas mazurcas são o testemunho da maneira como este génio transformava uma popular dança polaca na arte mais sublime. De 1830 até à sua morte, em 1849, Chopin publicou 41 mazurcas. Os dois nocturnos, embora sejam duas obras distintas, quase se complementam, tal a forma como termina uma e começa a outra. A bonita balada, uma das quatro peças para piano compostas entre 1835 e 1842, é uma das obras mais divulgadas deste compositor. Para finalizar o recital, o encore foi uma peça de Chopin que não consegui identificar. Música de grande beleza neste fim de tarde em Oeiras. Um senão neste recital, o barulho que o banco da pianista fazia, sempre que fazia algum movimento. Foi tão notória esta situação, que a vereadora da Cultura da CMO, no final, pediu desculpa à Luisa Tender pelo sucedido, prometendo não voltar a acontecer.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cultura é...

... assistir no CAMB, em Algés, a um concerto do Moscow Piano Quartet. O MPQ apresentou obras de Sergey Taneiev (1856-1915), Alexandre Delgado (1965) e Robert Schumann (1810-1856), um compositor russo, um português e um alemão. De Taneiev, que eu não conhecia, tocaram o Quarteto com piano, obra onde é notória a fusão de influências de Brahms e da Arte Nova Alemã, uma obra lindíssima, especialmente o 2º andamento. De A.Delgado, membro do MPQ, toca violeta, executaram o Canteto para quarteto com piano, escrito para o festival de música de câmara "Cameralia", de Santiago de Compostela. Por fim, o Quarteto com piano que Schumann escreveu aos 18 anos, onde já se nota algo do Schumann adulto. Obra práticamente desconhecida, foi escrita em 1829 e só editada em 1979. É uma obra romântica, por isso muito bonita. Após a vinda ao palco por três vezes dos musicos, estes brindaram os presentes com um encore, o 2º andamento da obra de Taneiev. Lindo. Taneiev, que foi discípulo de Tchaikovsky, na classe de composição, entrou para o Conservatório de Moscovo com apenas 9 anos, onde se formou em piano em 1875. Faleceu de ataque cardíaco com 59 anos. A.Delgado, além de membro do MPQ, comenta concertos, é compositor e assina o programa "A propósito da música", na Antena 2. A fonte inspiradora de Schumann, que em 2010 se comemora o bicentenário do seu nascimento, foi a pianista e compositora Clara Schumann, sua mulher e mãe dos seus oito filhos. Schumann, faleceu com 46 anos, numa clínica para doenças mentais, após dois anos de internamento, por distúrbios psíquicos com tentativa de suicídio.