sábado, 29 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao bailado "A Sagração da Primavera", de Igor Stravinsky (1882-1971), com a Companhia Olga Roriz. A primeira parte do espectáculo foi preenchida com a peça Before spring-A Tribute to the Rite, obra encomendada ao compositor Luis Tinoco (1969), pela OrchestrUtopica, que dirigida pelo maestro Cesário Costa, executou a peça. Esta obra, de tributo a Stravinsky, e criada para fazer a "ponte" com a coreografia de Olga Roriz, não me entusiasmou. Após o intervalo, foi apresentada a coreografia da "A Sagração da Primavera", de Olga Roriz. Não sendo muito apreciador/conhecedor de bailado, o que me levou a assistir a este espectáculo foi o facto de gostar muito da música e a oportunidade de ver o bailado. O bailado "A Sagração da Primavera" (1913), que conta a cerimónia pagã em que uma jovem é sacrificada como oferenda ao Deus da primavera, em ritual primitivo, a fim de trazer boas colheitas, encerra a trilogia de bailados de Igor Stravinsky, que começou com "Pássaro de Fogo" (1910), e Petrushka" (1911). Foi criada para os Ballets Russes, de Sergei Diaghilev, com a coreografia polémica do famoso Nijinsky, e estreada há 97 anos em Paris, no dia 28 de Maio de 1913. Facto curioso, o de no mesmo fim-de-semana se estrearem duas versões desta obra, que causou alguma polémica, pois estiveram para ser só uma. Na véspera da estreia da versão de Olga Roriz, a Companhia Nacional de Bailado (CNB), estreou em Faro, uma coreografia do espanhol Cayetano Soto. Segundo quem viu os ensaios das duas versões, são bastante diferentes.

Cultura é...

... ir ao Palácio do Egipto, em Oeiras, assistir ao concerto do trio Piazzolla Lisboa. Este trio, composto por António Carrilho, na flauta de bisel, pelo italiano Edoardo Sbaffi, no violoncelo e Helena Vasques no piano, tocam como se percebe pelo seu nome, obras de Astor Piazzolla (1921-1992). Para mim foi um prazer ouvir este concerto, por ser um admirador de Piazzolla e ter cd´s com várias versões das obras apresentadas. O concerto começou com Otoño Porteño, uma das suas Cuatro estaciones porteñas. Das várias versões que tenho, a que mais gosto é a interpretada pelo quarteto de cordas alemão Artemis Quartet com o pianista Jacques Ammon, no cd "The Piazzolla Project". Após o Otoño Porteño, o concerto continuou com Close your eyes and listen, da autoria de Astor Piazzolla e do saxofonista "Gerry" Mulligan, gravado pelos dois no cd "Summit", em 1974. Oblivion, para mim uma das melhores obras de Piazzolla, foi a peça tocada a seguir, a minha versão preferida é a do guitarrista norte americano Al Di Meola, no seu cd "Al Di Meola plays Piazzolla". De novo mais uma das Cuatro estaciones porteñas, o Verano Porteño, a minha interpretação favorita é a de Gidon Kremer com a Kremerata Baltica, no cd "Eight Seasons". O cd, deste excepcional violinista da Letónia e o seu grupo, formado por jovens músicos dos países Bálticos, é dedicado às quatro estações do ano, do Astor Piazzolla e de Antonio Vivaldi, um belíssimo cd. Da única ópera de Piazzolla, com o título Maria de Buenos Aires, que conheço vários excertos, ouvimos a Contramilonga a la mia funeralla. Este excerto não conhecia. De novo as Cuatro estaciones porteñas, desta vez o Inverno Porteño, que muito aprecio tocado pelo violoncelista alemão Jan Vogler no cd "Tango !" Com o concerto a aproximar-se do fim, ouvimos mais uma belissíma obra, o Libertango, que Richard Galliano, acordeonista francês, toca magistralmento no seu cd "Laurita". Por fim, a mais conhecida das Cuatro estaciones porteñas, Primavera Porteña, que o ensemble francês Astoria gravou no cd "Adios Noniño". No final, os Piazzolla Lisboa regressaram ao palco para agradecer as muitas palmas, e brindaram o público de novo com o Libertango. Possuindo cd´s, com as mais diversas formações e instrumentos, a interpretar Piazzolla, foi uma agradável surpresa ouvir estas versões com a flauta de bisel a substituir o violino, em perfeita harmonia com o violoncelo e o piano. Astor Piazzolla foi o criador do chamado "nuevo tango", a fusão jazz, devido à inclusão no seu octeto de instrumentos alheios ao tango tradicional, a guitarra, o baixo, o piano, a bateria e o saxofone. Faleceu em Buenos Aires em 1992, após ter sofrido dois anos antes, uma trombose em Paris, após ter passado por Lisboa e realizado um concerto memorável no Coliseu dos Recreios.

Cultura é...

... ir ao CAMB, no Palácio Anjos, em Algés, assistir a mais um concerto do "Ciclo de Música de Câmara". Neste concerto, o Moscow Piano Quartet, interpretou obras de Joly Braga Santos (1924-1988), Robert Schumann (1810-1856) e Anton Rubinstein (1829-1894). Como é hábito deste ciclo, Alexandre Delgado, membro do quarteto, fez uma pequena introdução sobre cada uma das obras. De Joly Braga Santos, discípulo dilecto de Luis Freitas Branco, ouvimos o Quarteto com piano, op. 26, escrito na primeira fase de produção do compositor. Embora Braga Santos seja recordado pela sua obra sinfónica, seis sinfonias, sendo a quinta a sua maior criação, deixou bastantes obras de música de câmara. Em criança adorava que lhe oferecessem instrumentos musicais, por isso aos cinco anos já tocava num violino de brincar. Dele disse um dia, "não me considero compositor, mas sim inventor de música". Na sua época, foi considerado pela UNESCO, um dos dez melhores compositores contemporâneos. De Schumann, compositor importante do Romantismo, o MPQ, interpretou o Quarteto com piano, op. 47, obra escrita em 1842, a sua fase mais criativa da música de câmara, e estreada por Clara Schuman no ano seguinte, na residência do casal em Leipzig. Para finalizar o concerto, foi tocado o Quarteto com piano, op. 66, do pianista, compositor e maestro russo-judaico Anton Rubinstein, obra raramente tocada na actualidade. Figura emblemática da vida musical de São Petersburgo no século XIX, Rubinstein foi fundador do famoso Conservatório local, onde pela primeira vez se ensinou a música na lingua russa. Como não seguiu o caminho convencional escolhido pelo Grupo dos Cinco, grupo de compositores russos nacionalistas, foi muito criticado por estes. Tendo começado a aprender a tocar piano com cinco anos, tocou a primeira vez em público com nove e com onze anos tocou em Paris para uma plateia onde se encontravam Fryderyk Chopin e Franz Liszt. No final, Chopin convidou-o para ir a sua casa tocar para ele. Pianista virtuoso, foi considerado um grande rival de Franz Liszt. No final, devido aos inúmeros aplausos, o Moscow Piano Quarteto regressou para tocar o 3º andamento do quarteto de Rubinstein.

domingo, 23 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao concerto inaugural do "Ciclo de Concertos de Órgão no Mosteiro dos Jerónimos". Este concerto contou com a colaboração do barítono Armando Possante e do organista António Esteireiro. No novo órgão do Mosteiro dos Jerónimos, foram interpretadas obras de compositores de várias épocas, dos históricos aos contemporâneos. De Isfrid Kayser (1712-1771), principal compositor bávaro de música sacra, foi tocada Ouverture. Kayser foi director musical do Mosteiro de Marchtal, onde viveu grande parte da sua vida, e onde veio a falecer com 59 anos. De Francisco Correa de Arauxo (1584-1654), notável organista e compositor espanhol da Renascença, ouvimos pela voz de Armando Possante, duas obras. Este compositor, que durante parte da sua vida se viu envolvido em várias acções judiciais, tendo uma das vezes sido preso, faleceu em extrema pobreza. Do inglês William Boyce (1711-1779), que foi organista da Capela Real até a surdez o impedir de o fazer, ouvimos Voluntary in D. Tendo sido um dos mais importantes compositores ingleses do século XVIII, após a sua morte, caiu no esquecimento. A seguir, de J.S.Bach (1685-1750), considerado o mestre da música barroca, e o maior compositor da história da música, ouvimos uma das peças mais bonitas do concerto, Passacaglia e Fuga em dó menor. De novo a voz de Armando Possante, para interpretar Mörike Lieder, do austríaco Hugo Wolf (1860-1903) e do alemão "Max" Reger (1873-1916). Estes compositores, Wolf, especialista em lieder, e Reger, excelente organista, faleceram muito novos, tinham 43 anos, um com sífilis e o outro com um ataque cardíaco. Para finalizar este concerto, ouvimos obras de dois compositores franceses. O Prelúdio e Fuga em Sol menor, op. 7, nº 3, do organista, pianista e pedagogo Marcel Dupré (1886-1971), e cantado por Armando Possante, Les Angélus, Tríptico para canto e órgão, op. 57, de Louis Vierne (1870-1937). Louis Vierne, compositor e organista de renome, escreveu grande parte da sua obra em Braille, devido a uma catarata congénita de que sofria. Vierne foi o organista principal da Catedral de Notre-Dame de 1900 a 2-06-1937, dia em que faleceu, quando tocava num concerto. Durante a interpretação duma obra tombou do banco do órgão, segundo uns devido a um AVC, segundo outros devido a um ataque cardíaco. Assim se cumpriu o seu desejo, que era morrer ao teclado daquele órgão, e ainda tendo junto dele o grande amigo Marcel Dupré, que foi seu aluno no Conservatório de Paris.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir no Grande Auditório do CCB ao concerto de Dianne Reeves Quartet. Neste concerto de apresentação do seu novo trabalho, When you know, Dianne Reeves foi acompanhada por quatro excelentes músicos. No piano e na direcção musical esteve Peter Martin, Reginald Veal, no contrabaixo e baixo electrico, Romero Lumbabo, tocou guitarra acústica e electrica, e na bateria Terreon Gully. Com uma voz espectacular, Reeves é considerada uma das mais importantes cantoras de jazz contemporâneas, sendo a única cantora a conseguir ganhar os Grammys por quatro vezes, três deles consecutivos. Neste momento Reeves apresenta-se no topo das suas capacidades. Em 2002 cantou no encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City.

domingo, 9 de maio de 2010

Cultura é...

... ir ao Grande Auditório do C.C.B. ouvir o concerto "Sinfonia nº 8 de Schubert, A Grande", interpretado pela Orq.Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo reputado maestro norte-americano Mark Stringer. Neste concerto, a OML não só interpretou Franz Schubert (1797-1828), como Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Dmitri Chostakovich (1906-1975). O concerto, inserido nas comemorações dos 18 Anos-Idade Maior da OML, começou com a Abertura Rei Estevão, Op.117, de Beethoven, obra composta para a inauguração de um teatro em Peste, que anos mais tarde se viria a juntar a Buda e passaria a ser Budapeste, capital da Hungría. Esta obra é uma das poucas do compositor escrita para cena, sendo a ópera Fidélio a mais conhecida. A primeira parte deste concerto acabou com o violoncelista Xavier Phillips, acompanhado pela OML no Concerto para violoncelo nº 1, Op.107, do russo Dmitri Chostakovich. As obras de Chostakovich eram muito populares e bem recebidas na Rússia, mau grado a sua difícil relação com o estalinismo. Uma das obras com mais sucesso deste compositor foi a Sinfonia nº 7 "Leninegrado", Chostakovich começou a escreve esta sinfonia durante o cerco da cidade pelas tropas de Hitler, onde prestou serviço como bombeiro. Xavier Phillips começou a estudar violoncelo com apenas 6 anos, neste momento é um dos mais consagrados violoncelistas franceses. A segunda parte do concerto foi preenchida com a Sinfonia nº 8 "A Grande", de Schubert, a obra mais ambiciosa deste compositor austríaco, e das últimas que escreveu. Começou a escrevê-la em 1826, terminou em Março de 1828 e veio a falecer em Novembro desse ano, de febre tifóide, com apenas 31 anos. Esta sinfonia sempre esteve envolta em controversia em relação ao seu número, para os musicólogos alemâes é a nº 7, será a nº 8 para o musicólogo austríaco Otto Deutsch, que organizou o catálogo das suas obras, e na maior parte do mundo é conhecida pela nº 9. Esta controvérsia deve-se ao facto de Schubert ter começado a esboçar uma sinfonia que nunca chegou a acabar e não pode ser tocada, e ainda porque há quem ache que a Sinfonia Inacabada sendo a 7ª na ordem cronologica deve ser considerada a última, por não estar acabada. A maior parte das suas obras só foi ouvida em público após a sua morte.

sábado, 8 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir a mais um excelente recital do pianista Jorge Moyano. Neste recital, efectuado no Aud.do Centro da Apoio Social de Oeiras, o pianista tocou três obras de Robert Schumann (1810-1856). Dando uma breve explicação antes de cada obra, Moyano começou o recital com as Cenas da floresta Op.82. Esta obra escrita em 1849, é composta por nove pequenas peças, com títulos relacionados com a floresta, como por exemplo: caçador à espreita, paisagem encantadora e pássaro profeta. Como um dos compositores românticos do século XIX, Schumann gostava da natureza, de passear pelo bosque, por isso a inspiração para estas belas cenas da floresta. Esta obra foi escrita 4 anos antes de se atirar ao Reno, numa tentativa de suicídio. Ao ler o romance "Adolescência", de Jean-Paul Richter, Schumann inspirou-se para escrever, em 1831, as doze peças para piano com o título Papillons Op.2. Esta obra foi o início da sua primeira grande fase criativa. Por fim, Jorge Moyano, interpretou o Carnaval Op.9. Com 22 secções, é o retrato dum baile de máscaras com personagens musicais, o Pierrot, o Arlequim, Chiarina, alusão à Clara, sua futura mulher, Chopin, Estrella, alusão a Ernestine, sua ex-namorada, etc. Em todas as secções aparecem as notas músicais que em alemão é o nome da cidade onde Ernestine nasceu, Asch, e as notas musicais do seu próprio nome Schumann. Foi considerado o poeta do piano dado a influência que a literatura teve na sua música.

domingo, 2 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao recital da pianista Teresa da Palma Pereira, no Aud.Mun. Ruy de Carvalho. Neste recital, a pianista executou obras dos compositores Johann Sebastian Bach (1685-1750), Joseph Haydn (1732-1809), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Claude Debussy (1862-1918), György Ligeti (1923-2006) e Ferencz (Franz) Liszt (1811-1886). De J.S.Bach, a pianista interpretou a Toccata BWV 914, escrita na primeira fase de composição de Bach e uma das mais bonitas do compositor, de Haydn foi tocada a Sonata para piano nº 52 "Hob:XVI 52", a última e a melhor sonata para piano escrita por este compositor austríaco. Para terminar a primeira parte, ouvimos a Sonata para piano nº 26 Op.81a "Les Adieux", de Beethoven. Esta sinfonia foi dedicada ao arquiduque Rodolfo da Áustria, seu aluno e amigo, quando este e sua família foram forçados a deixar Viena devido à guerra, por isso o subtítulo "Les Adieux". Após o intervalo, de Debussy, ouvimos Estampes e o "Étude pour les degrés chromatiques". Estampes é uma composição para piano com três movimentos e o "Étude pour les degrés chromatiques" faz parte dum conjunto de 12 peças, consideradas por Debussy de difícil execução, do húngaro Ligeti, ouvimos um dos seus dezoito estudos para piano solo, o Estude nº 8 "Fém", o concerto terminou com uma obra de Liszt, a sonata "Après une Lecture de Dante". Esta sonata, composta em 1849, foi inspirada na obra de Dante, A Divina Comédia. Curiosidade, esta pianista é filha do actual ministro da administração interna, Rui Pereira. Iniciou com 6 anos os estudos de música, completando com 20 anos a licenciatura em piano na Escola Superior de Música de Lisboa com a média geral de 19 valores. Tendo como professora a pianista Tania Achot.

sábado, 1 de maio de 2010

Cultura é...

... assistir ao "Triplo concerto", no Auditório Municipal Ruy de Carvalho. Neste concerto, o trio composto pelos solistas, Lilia Donkova no violino, Zeynep Yamanturk ao piano e Viktoria Chichkova no violoncelo, executaram com a Orq.Câm.Cascais Oeiras, obras de Ludwig (Louis) Spohr (1784-1859), Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Joseph Haydn (1732-1809). De L. Spohr, o trio tocou a Abertura de "Jessonde" Op.63, uma das suas dez óperas. Este compositor alemão, que chegou a desfrutar de reputação igual à de Beethoven, hoje não é mais do que um nome nas enciclopédias de música clássica, deixou uma enorme produção musical, tendo composto mais de 150 obras, de diversos géneros. Spohr foi o inventor da peça que os violinos tem para os músicos colocarem o queixo, a queixeira, e foi o primeiro maestro a dirigir com batuta. Grande amigo de Beethoven, foi deste compositor que ouvimos a obra seguinte, o Concerto para violino, violoncelo e piano Op.56. Nascido em Bona, a maior parte da vida de Beethoven foi passada em Viena, onde chegou com 22 anos, tendo sido aluno de Haydn e Salieri. O seu período mais feliz foi entre os 24 e os 25 anos, vivendo de aulas e concertos, e participando activamente na vida mundana vienense. Infelizmente aos 25 anos começou a sofrer de surdez até à surdez total aos 49 anos. A última obra a ser tocada pelo trio, foi a Sinfonia nº 94 "Surpresa", de J.Haydn. Uma das mais famosas sinfonias do compositor, cheia de bom humor. As sinfonias foram as obras que mais popularidade deram a Haydn. Outra bonita sinfonia de Haydn é a Sinfonia nº 45 "Adeus". Numa próxima oportunidade falarei sobre esta obra. Este concerto teve como fio condutor a aproximação que existiu entre os três compositores, a grande amizade entre Spohr e Beethoven e o facto de Haydn ter dado aulas a Beethoven quando este foi para Viena. Falta acrescentar que a pianista Zeynep Yamanturk, é turca, e começou a tocar piano aos três anos e meio, a violinista Lilia Donkova e a violoncelista Viktoria Chichkova, são búlgaras, e elementos da Orq.Câm.Cascais Oeiras.