sábado, 26 de fevereiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Aud.Mun.Ruy de Carvalho, a um recital de Pedro Burmester. Neste recital, que teve a participação do violoncelista José Augusto Pereira de Sousa, foram interpretadas obras de Robert Schumann (1810-1856) e Ludwig van Beethoven (1770-1827). A primeira parte do recital começou com Pedro Burmester e José Augusto Pereira de Sousa a interpretaram as 3 peças, da Fantasia Op. 73, de Schumann. Compostas em dois dias, no ano de 1849, para piano e clarinete, Schumann determinou que o clarinete podia ser substituido por violino ou violocenlo. Seguiu-se a Sonata para piano e violoncelo, em Lá maior, Op. 69. Esta obra foi escrita por Beethoven em 1808, o seu ano mais produtivo a nível de composição. Nesse ano escreveu o Concerto para violino, os dois Trios para piano e acabou as 5ª e 6ª Sinfonias. A segunda parte do recital foi totalmente preenchida com os Estudos Sinfónicos Op. 13, de Schumann, magníficamente interpretados por Pedro Burmester. Escritos em 1834, são das obras mais famosas deste compositor e pianista alemão do Romântismo. Devido aos aplausos que o público, que esgotou o auditório, lhe tributou, ele e o violoncelista, regressaram ao palco para interpretaram a bonita Abertura do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsy. Este recital insere-se no regresso de Pedro Burmester aos palcos, após a sua passagem como director artistico da CdM e promoção do trabalho com obras de Schumann que editou em 2010.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Auditório do Museu do Oriente, ao concerto de música de câmara intitulado "Quarteto com fagote", com Solistas da Metropolitana. Este quinteto composto por dois violinos, uma viola, um violoncelo e um fagote, interpretou obras de dois compositores pouco conhecidos, o checo Antonin Reicha (1770-1836) e o alemão Johann Evangelist Brandl (1760-1837). O concerto começou com o Quinteto em Si bemol maior, de Reicha. Embora tivesse escrito quintetos para instrumentos de sopro, óperas, sinfonias e peças para piano, ensinado no Conservatório de Paris e pertencido à Academia de Belas-Artes, Reicha é um compositor práticamente desconhecido do grande público. Faleceu em Paris, relativamente novo, com 66 anos. Do compositor e violinista alemão Brandl, também ele pouco conhecido, ouvimos o Quinteto em Fá maior, Op. 52/2. Nesta obra os instrumentos parecem que brincam entre eles, por isso uma obra muito alegre. Quinteto escrito para ser tocado por um violino, duas violas, um violoncelo e o fagote, neste concerto uma das violas foi substituida por um violino. Segundo consta, Brandl começou a receber lições musicais com apenas 6 anos. Todas as obras deste compositor têm no fagote o instrumento de liderança. Foi considerado pelos compositores seus contemporâneos como o principal e mais respeitado compositor alemão dessa época.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Cultura é...

... assistir no CCB a três concertos do Ciclo A HORA DA ALMA. Este ciclo assinala o 80º aniversário de Sofia Gubaidulina, compositora russa, de etnía tártara. No dia 6/02, comecei por assistir no Grande Auditório ao concerto de "Geir Draugsvoll e OCP". Neste concerto ouvimos obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Sofia Gubaidulina (1931) e Ludwig van Beethoven (1770-1827). De Bach, um ensemble dirigido pela cravista Ana Mafalda Castro, tocou o Concerto Brandeburguês nº 3, em Sol maior, BWV 1048, um dos seis concertos com este título, que o compositor escreveu entre 1718 e 1721, e dedicou ao margrave (marquês) Christian Ludwig von Brandenburg. Os Concertos de Brandenburg são considerados como expoentes da música barroca, por isso estarem entre os clássicos mais populares. Para finalizar a primeira parte do concerto, da homenageada, ouvimos Fachwerk, concerto para bayan (acordeão russo) e orquestra, peça estreada em 2009. Magnífica interpretação de Geir Draugsvoll e da O.C.P., dirigida por Pedro Carneiro. Esta obra foi dedicada pela compositora a Draugsvoll, considerado o mestre do bayan. Após o intervalo, a O.C.P. interpretou a Sinfonia nº 5, em Dó menor, Op. 67, de Beethoven, obra escrita entre 1804 e 1808 . Esta obra-mestra, escrita quase um século depois dos Concertos de Brandenburg, tem sido classificada como romântica, trágica, violenta, caótica e muito mais. É considerada um "monumento" da criação artistíca. Ao ouvir no mesmo concerto estas obras, de Bach e Beethoven, não podemos deixar de notar, por muito diferentes que as obras pareçam, que há algo em comum. No concerto seguinte, em 9/02, com o título "...para Gubaidulina", o DSCH-Schostakovich Ensemble e Sofia Gubaidulina, interpretaram obras de Anton Webern (1883-1945), Dmitri Schostakovich (1906-1975) e da própria Gubaidulina (1931). O concerto começou com o DSCH-Schostakovich Ensemble a interpretar do austríaco Webern, Seis Bagatelas, Op. 9, para quarteto de cordas, peças escritas em 1913. Este compositor fez parte, com Schoenberg, de quem foi aluno, e Alban Berg, da chamada Segunda Escola de Viena. Webern foi morto, em Salzburg, por um soldado norte americano durante a invasão dos aliados, em 1945. Antes do intervalo, de Schostakovich, ouvimos o Quinteto com piano, em Sol menor, Op.57. Peça escrita em 1940, foi estreada no mesmo ano, pelo Quarteto Beethoven de Moscovo, com o compositor ao piano. Após o intervalo, ouvimos três peças de Sofia Gubaidulina, a primeira, Reflections on the theme B-A-C-H, estreada em 2002, foi interpretada por um quarteto de cordas. O tema de B-A-C-H é o terceiro tema da última fuga da obra Arte da fuga, BWV 1080, de Bach. A segunda obra, Dancer on a tightrope (O funâmbulo), foi interpretada por Tatiana Samouil, no violino, e Filipe Pinto-Ribeiro, no piano. Nesta obra, o pianista começa a tocar com um copo sobre as cordas do piano, que nos transmite um som misterioso e inquietante. O terceiro e último tema, On the Edge of Abyss (À beira do abismo), foi tocado por 2 aquafones e 7 violoncelistas. Obra com um ambiente estranho e misterioso devido aos aquafones, tocados por Filipe Pinto-Ribeiro e Gubaidulina. Sempre que está presente na apresentação desta obra, como foi o caso, a compositora toca um dos aquafones. O aquafone é um ressonador cheio de água, com varetas de bronze afinadas, que são friccionadas por um arco, e ao mesmo tempo que é agitado, produz um som estranho, como se vozes de baleias se ouvissem ao longe, por isso um instrumento de sonoridades peculiares. Cada aquafone, que já chamaram de "sintetizador acústico", é peça única, pois o seu inventor, Richard Waters, um artista americano, só constroi por encomenda, gravando nele a data da sua construção. O "Concerto de Encerramento", realizado no dia 12/02, foi preenchido com obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Sofia Gubaidulina (1931). Neste concerto, a Orquestra Sinfónica Metropolitana e o pianista Filipe Pinto-Ribeiro, começaram por tocar, a Sinfonia nº 2, em Ré maior, Op. 36, de Beethoven. Com quatro andamentos, esta obra escrita entre 1801 e 1802, é muitas vezes designada como uma obra alegre e ligeira, dentro do classicismo de Haydn e Mozart. Ainda antes do intervalo, a orquestra e o pianista, interpretaram de Gubaidulina, o Concerto para piano e orquestra de câmara, Introitus, escrito em 1978. O seu título, refere-se a uma parte da liturgia da missa, é o primeiro duma série de obras com conteúdos religiosos. O canto do Introitus na missa é cantado à entrada dos padres e acólitos. Após o intervalo, e para encerrar este concerto, também de Gubaidulina, ouvimos a Sinfonia em doze andamentos, Stimmen... Verstummen... (Vozes... emudecem... ). As palavras que dão titúlo a esta composição, escrita em 1986, foram tiradas de um poema do poeta austríaco Francisco Tanzer. De todas as obras de Sofia Gubaidulina que ouvi, esta foi a que menos gostei. Gubaidulina é talvez a primeira mulher compositora a alcançar um estatuto que só os seus colegas masculinos atingiam devido ao reconhecimento de criadora essencial no começo deste século. A sua música tem a particularidade de captar quem a ouve devido à mistura de influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas. Neste ciclo foram tocadas obras de Bach, Beethoven Webern e Schostakovich, compositores por quem Gubaidulina nutre uma grande admiração.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cultura é...

... ir ao Aud.Mun.Ruy de Carvalho assistir ao concerto "M de Mozart" com o pianista croata Ratimir Martinovic e a O.C.C.O., hoje dirigida pelo maestro húngaro Sandor Gyudi. Neste concerto foram tocadas obras de Leopold Mozart (1719-1787) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). O concerto começou com a Sinfonia em Ré maior "Casamento camponês", de Leopold Mozart, compositor, violinista, pedagogo alemão, e pai do famoso Wolfgang Amadeus Mozart. Como a maioria das suas composições, esta sinfonia é uma obra quase desconhecida do público. Entre as sinfonias de Leopold Mozart, há uma que durante muito tempo foi considerada da autoria de Haydn, a Toy Symphony (Sinfonia brinquedo). Foi Leopold, quando descobriu que Wolfgang, com cinco anos, era um menino prodígio, o levou pela Europa para mostar a reis, príncipes e ao clero do que ele era capaz. Seguiram-se duas belíssimas obras de Mozart, um concerto para piano e uma sinfonia. O Concerto para piano em Lá maior nº 12, K 414, escrito em 1782, foi um dos três primeiros concertos de Viena que Mozart escreveu. Interpretado pelo pianista Ratimir Martinovic, e pela O.C.C.O., gostei muito, não só da obra como da interpretação da orquestra e do pianista. Este concerto, escrito para orquestra de câmara, também pode ser interpretada por um quarteto de cordas e piano. Para terminar a O.C.C.O. tocou a Sinfonia nº 33 em Si bemol maior, K 319, escrita em 1779. Segundo consta, esta obra foi acabada em Salzburgo, depois da longa viagem que Mozart efectuou de Mannhein a Paris. Inicialmente com três andamentos, em 1782, em Viena, Mozart escreveu mais um, o Minueto. Este andamento passou a ser o 3º dos quatro que a obra tem. Duas obras muito bonitas de Mozart. Mais um concerto em que a O.C.C.O. mostrou a mais valia dos seus elementos.