domingo, 9 de janeiro de 2011

Cultura é...

... assistir no Mosteiro dos Jerónimos ao "Concerto de Reis", o último concerto do 1º Ciclo de Concertos de Órgão de Belém. Este concerto teve como interpretes, Sérgio Pacheco no trompete e António Esteireiro no órgão. Com a Igreja dos Jerónimos práticamente cheia, ouvimos obras de Henri Tomasi (1901-1971), Dietrich Buxtehude (1637-1707), Johann Sebastian Bach (1685-1750), Olivier Messian (1908-1992), Henri Sauguet (1901-1989) e Naji Hakim (1955). O concerto começou com Semaine Sainte a Cuzco, de Henri Tomasi, maestro e compositor francês. Tomasi começou na música com sete anos, quando o pai o inscreveu no Conservatório de Marselha, com lições de Teoria da Música. Entretanto, o pai obrigava-o a tocava para famílias da classe alta dessa cidade francesa, "onde Tomasi se sentia humilhado e se achava um animal amestrado". Ele, cujo sonho era ser marinheiro e esquecer as aulas de música. Com o passar dos anos esqueceu o sonho, dedicou-se à música, e assim nasceu um óptimo maestro e compositor. De Buxtehude, compositor e organista dinamarquês, ouvimos a Fantasia coral sobre "Wie schön leuchtet der Morgenstern". Sendo considerado o mais importante compositor alemão do período barroco, por ser de ascendência alemã, sempre se considerou dinamarquês, pois a localidade onde nasceu estava nessa época integrada na Dinamarca. Além de grande compositor foi um notável organista, a sua fama era tanta que foi visitado por vários compositores, entre eles Handel e o grande admirador da sua obra, o jovem Bach, que andou cerca de 400 km para o visitar durante 4 semanas, acabando por ficar cerca de 4 meses, "para compreender melhor a sua arte", palavras de Bach. Do grande Johann Sebastian Bach, Sérgio Pacheco e António Esteireiro, tocaram o Concerto em Ré maior, BWV 972 (a partir do Concerto RV 230 de Antonio Vivaldi). Le fils, Verbe et Lumière, de Olivier Messiaen, foi a obra que se seguiu. Messiaen foi organista da Igreja da Santíssima Trindade, em Paris, desde 1931, com apenas vinte e três anos, até à sua morte, em 1992. Quando foi feito prisioneiro de guerra dos alemães na Guerra de França, escreveu com os instrumentos que tinha, piano, clarinete, violino e violoncelo, o "Quarteto para o fim dos tempos", obra que estreou com amigos prisioneiros, perante reclusos e guardas. De Henri Sauguet, compositor francês, homossexual assumido, ouvimos Non morietur in aeternum. Este concerto de Reis terminou com a Sonata para trompete e órgão, de Naji Hakim. Hakim, organista, compositor e improvisador libanês, começou por ter aulas de piano, a nível particular com nove ou dez anos, no entanto pouco depois começou a aprender sózinho a tocar órgão. De 1985 a 1993, Hakim foi organista da Basilique du Sacré-Coeur. Quando Messiaen faleceu, em 1993, Hakim passou a ser o organista da Igreja da Santíssima Trindade, até 2008. Esperemos que este Ciclo de Concertos tenha continuidade, para podermos ouvir este belíssimo instrumento.

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