segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Cultura é...
... assistir no CCB ao concerto "Enfant d´hiver", de Jane Birkin, cantora, actriz e realizadora britânica, radicada em França desde os anos sessenta. Jane ficou mundialmente conhecida por ter cantado com Serge Gainsbourg, génio maldito da canção francesa, nos anos sessenta, o mítico "Je t´aime...Moi non plus", que se tornou no símbolo da libertação sexual de toda uma geração e hoje considerado um dos maiores clássicos da chanson française. Chegou a ser proíbido em Portugal. Este concerto com o nome do album editado em 2008, o primeiro com todas as letras escritas por Jane Birkin, foi muito intimista, um palco totalmente negro com pequenos pontos de luz sobre cada um dos elementos da banda que a acompanhou, um pianista, uma jovem violoncelista, um guitarrista e um contrabaixo, sobre a cantora um foco. Durante o concerto, cerca de duas horas, interpretou canções do último album e entre outras que não identifiquei, "Ex fan des sixties", "Nicotine" e "For Mustang". Jane que está empenhada na defesa dos direitos humanos, por duas vezes prestou homenagem a Aung San Sun Kyi, "disse" um texto escrito por ela acompanhado com música e outro sem música. Antes de acabar o concerto e dos encores, quatro, uma surpresa. A banda começa a tocar, Jane desce do palco, aparece alguém que lhe entrega uma armação em forma de chapéu de chuva, com pequenas lampadas nas varetas em vez de tecido, começa a cantar subindo pelo corredor entre as cadeiras, sai do auditório, deixa de cantar continuando a banda a tocar, passados alguns momentos aparece num dos camarotes laterais, recomeçando a cantar, sempre com a armação, de novo sai do camarote para segundos depois aparecer na mesma porta por onde saiu e descer pelo outro corredor entre as cadeiras, para por fim entregar a armação a alguém e acabar a canção subindo ao palco, com uma grande salva de palmas. Gostei da música, das canções, do intimismo do palco, gostei de ouvir a Jane Birkin, não a ouvia há muitos anos. Um bom concerto. Para muitos deve ter faltado o sal do "Je t´aime..." mas, já não temos vinte anos, já não somos quem eramos, o contexto não é o mesmo, a Jane não canta como cantava e não tinha a seu lado o Serge, com quem viver de 1968 a 1981.
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